Parque Nacional da Peneda-Gerês
Ruben Minderico CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Parque Nacional da Peneda-Gerês

o único parque nacional do país, e dá para perceber porquê em meia hora

Portugal tem cerca de 30 áreas protegidas. Parques naturais, reservas, paisagens, monumentos. Mas Parque Nacional, com nome próprio e categoria máxima de protecção, só este. Foi criado a 8 de maio de 1971 e ocupa 69.596 hectares no extremo nordeste do país, na fronteira com a Galiza, atravessando quatro serras (Peneda, Soajo, Amarela, Gerês), 22 freguesias e cinco concelhos: Terras de Bouro a oeste em Braga; Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca a norte em Viana do Castelo; Montalegre a leste em Vila Real. Desde 2009 é, junto com o Parque Natural espanhol da Baixa Limia-Serra do Xurés, Reserva da Biosfera Transfronteiriça da UNESCO. O pico mais alto, a Nevosa, está a 1.545 metros.

O que distingue o Gerês não é só a paisagem; é a sobreposição de coisas. Pelo meio dos vales granítico-quartzíticos passa a Geira, a estrada romana que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga), com marcos miliários ainda em pé. Há castelos medievais em Castro Laboreiro e Lindoso, aldeias inteiras feitas de espigueiros em pedra como Soajo (24 espigueiros encostados a um afloramento rochoso) e a própria aldeia de Lindoso (50 espigueiros, o maior conjunto da Península Ibérica). Há mosteiros perdidos em altitude como o de Santa Maria das Júnias, em Pitões. Há o fojo do lobo em Fafião, muro de pedra em V que servia de armadilha medieval, hoje símbolo da reconciliação da aldeia com a espécie que combateu durante séculos. E há a aldeia submersa de Vilarinho das Furnas, debaixo da barragem do rio Homem desde 1972; em anos de seca volta a aparecer, como uma Pompeia minhota.

Quanto a fauna: o Gerês é um dos poucos sítios em Portugal onde podes ver um lobo-ibérico em estado selvagem (estima-se que existam 45 a 54 alcateias no país, a maioria a norte do Douro). Garranos, cavalos autóctones em semi-liberdade, pastam em 97% do território do parque. A cabra-montês, extinta em Portugal no final do século XIX, regressou em 1999 vinda do lado espanhol através de um projecto de reintrodução iniciado em 1992; hoje vê-se com alguma regularidade nas zonas mais altas. O corço é símbolo do parque. Acrescenta lontras nas linhas de água, gatos-bravos, esquilos-vermelhos, javalis, 15 espécies de morcegos. E, como entrada de programa, a Cascata do Arado ou as Cascatas Fecha de Barjas (Tahiti) com cuidado, porque o piso de granito molhado é responsável por acidentes graves todos os anos.

Para vista panorâmica sem esforço, o Miradouro da Pedra Bela. Para perceber o que se perdeu sob a água, o Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, em São João do Campo. Em maio e junho o parque está em flor e a humidade mantém-se. Em julho e agosto é quando os carros se acumulam nas bermas das cascatas e os trilhos congestionam. Em outubro o castanhal pinta-se de cobre. Em janeiro pode nevar acima dos 1.000 metros e as estradas para Pitões fecham. Vai com tempo: o parque dá para uma tarde, mas merece três a quatro dias para se entrar pela serra dentro sem pressa.

vai sabendo que

  • o parque atravessa cinco concelhos em três distritos; não há entrada formal nem bilheteira, circula-se livremente
  • as cascatas mais conhecidas (Tahiti, Arado, Portela do Homem) têm acessos perigosos com pedra polida; todos os anos há vítimas
  • o lobo é raro de avistar e evita o contacto humano; os garranos vê-se com mais facilidade, sobretudo em zonas planálticas como Mourela e Castro Laboreiro
  • estradas para algumas aldeias (Pitões das Júnias, Castro Laboreiro) são longas, sinuosas e podem fechar no inverno com neve
  • em meses de estio chove menos e os caudais das cascatas baixam; algumas lagoas podem secar parcialmente em agosto

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