Cascata do Arado
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Cascata do Arado

a câmara desaconselha, a poça contradiz

A Cascata do Arado fica no rio Arado, a 900 metros de altitude, perto da aldeia da Ermida no Parque Nacional da Peneda-Gerês. É uma queda alta, uma das mais altas do parque, em sucessão de degraus pela encosta granítica abaixo até uma poça de água verde no fundo. A Câmara de Terras de Bouro desaconselha oficialmente banhos, com motivos reais: o piso é íngreme e escorregadio, e descer fora do trilho provoca acidentes graves todos os anos. Apesar disso, em qualquer dia de verão, encontras gente dentro da poça. A descida custa, é verdade. Mas quem desce com cabeça, calçado certo e tempo, encontra uma das melhores poças de banho do Gerês.

A visita oficial começa no miradouro. Estaciona-se junto à Ponte do Arado, ao fim de cerca de 3 km de estrada de terra batida a partir da Ermida (qualquer carro passa, com cuidado). Da ponte, sobem-se degraus em pedra ao longo do PR14 e em dez minutos chega-se ao miradouro construído pelos Serviços Florestais, com escadaria de pedra e protecção. Dali vê-se a queda em frente, com o vale verde a abrir-se em baixo. É o que a Câmara oferece. A descida à poça é por conta e risco de cada um, pela margem direita olhando para a cascata, por entre rochas que ficam invisíveis na erva alta de junho.

O caudal varia muito ao longo do ano. Em pleno verão, sobretudo agosto, o rio baixa muito e a queda fica reduzida a um fio de água sobre pedra — a poça mantém-se mas perde dramatismo. Na primavera e em outubro-novembro, depois das chuvas, a cascata corre com força e a poça enche-se de espuma; nessa altura o banho deixa de ser realista. Para o equilíbrio entre caudal visível e água tranquila para banho, fins de junho ou setembro são a janela óptima. A jusante, no mesmo rio Arado, ficam as Cascatas Fecha de Barjas (Tahiti), com lagoas em escada e acesso menos exigente; é a opção para quem quer mergulho sem ter de avaliar trilho selvagem. Aqui no Arado, o que há é uma poça. E a vista de cima.

vai sabendo que

  • a Câmara desaconselha banhos; o risco de acidente vem da descida, não da poça em si
  • estaciona-se junto à Ponte do Arado; o último km é em terra batida e o miradouro fica a 10 minutos a pé pelo PR14
  • a descida à poça faz-se pela margem direita olhando a cascata, fora do trilho oficial, com pedras escorregadias e ervas que escondem o piso
  • em agosto a cascata pode ter pouca água; em fevereiro corre demasiado para banho
  • não saltes da cascata; a poça serve para entrar pela borda, não para receber salto do alto

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