Castelo de Lindoso
Rossana Ferreira from Viana do Castelo, Portugal CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

Castelo de Lindoso

um castelo medieval por dentro, uma fortaleza moderna por fora, e nada disto se contradiz

O Castelo de Lindoso fica no extremo norte de Portugal, na fronteira com a Galiza, sobre a margem esquerda do rio Lima e em posição dominante sobre a serra Amarela. O topónimo vem do latim 'Limitosum' (limite, fronteira) e diz tudo sobre a função do sítio. A primeira menção documental aparece nas Inquirições de 1258, no reinado de D. Afonso III, o que sugere que o castelo terá sido erguido de raiz pouco antes, no esforço de reforço fronteiriço deste rei. D. Dinis reforça-o a partir de 1278. Está classificado como Monumento Nacional desde 1910. Não esteve em grandes batalhas, mas a história militar portuguesa estudou-o com atenção pelas novidades arquitectónicas que ensaiou.

O que se vê hoje é, na verdade, dois castelos sobrepostos. No miolo está o castelo medieval do século XIII: planta quadrangular, muralhas de alvenaria com adarve em cima, duas portas (uma ao norte junto à torre, outra ao sul com restos da ponte levadiça de madeira e arco quebrado por fora, arco de volta perfeita por dentro), e ao centro a Torre de Menagem, quadrangular, dividida em dois pisos, com a porta de acesso rasgada acima do nível do solo (recurso defensivo: o invasor não entrava por ali sem escada) e coroada por ameias de remate tronco-piramidal. Lá dentro, no pátio de armas, identificam-se ainda vestígios da residência do alcaide, do quartel da guarnição, da capela, da cisterna e de um forno.

À volta deste núcleo medieval, no século XVII, durante e depois da Guerra da Restauração, foi construída uma segunda cintura defensiva, esta já moderna: muralhas abaluartadas em planta estrelada, parapeitos com canhoneiras rasgadas em pontos estratégicos, guaritas cilíndricas com cúpulas semiesféricas nos vértices, taludes altos e fossos. A entrada principal é defendida por um revelim concluído em 1720, antecedido por ponte levadiça e por uma porta encimada por matacães. O castelo foi tomado pelos espanhóis em 1663 e reconquistado no mesmo ano; as obras de modernização ficaram concluídas em 1666 (data inscrita no lintel de uma das portas). É essa cintura estrelada à volta do quadrado medieval que dá ao Castelo de Lindoso a sua silhueta única em Portugal: uma estrela a abraçar um cubo.

O castelo está integrado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e abre-se directamente para a aldeia de Lindoso, com cerca de 50 espigueiros graníticos do séc. XVIII alinhados sobre um afloramento rochoso à entrada do recinto. É o maior conjunto de espigueiros antigos da Península Ibérica, e a vista do alto da Torre de Menagem sobre eles é uma das imagens mais reconhecíveis do Minho. Dentro do próprio recinto fica também o Núcleo Museológico do Castelo de Lindoso, com peças e contexto arqueológico das intervenções da DGEMN a partir dos anos 40 do século XX.

vai sabendo que

  • o castelo está num único recinto que combina núcleo medieval (séc. XIII) e cintura abaluartada estrelada (séc. XVII); é raro ver as duas eras tão à vista no mesmo monumento
  • a Torre de Menagem tem a porta acima do solo, recurso defensivo medieval; sobe-se hoje por escadas internas, com piso irregular
  • os espigueiros da aldeia ficam imediatamente à entrada do castelo; vê-se a planície de cima da torre
  • estaciona-se na aldeia; o acesso ao castelo é a pé pela rampa de acesso ao revelim
  • a fronteira espanhola fica a poucos minutos; em pleno verão o castelo enche, em fevereiro tem-se quase só para si

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