Poço Negro do Soajo
Pedro Nuno Caetano CC BY 2.0 · flickr.com
Poço Negro do Soajo
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons

Poço Negro do Soajo

o nome é negro, a água é verde-esmeralda

O Poço Negro fica no rio Adrão, dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a cerca de 1 km da aldeia do Soajo na estrada M530 que vai de Soajo a Cunhas, mesmo antes da ponte sobre o rio. O nome confunde quem nunca foi. Não é água escura por barro ou algas: a água é cristalina, verde-esmeralda intensa nas margens, e ganha tom escuro só por causa da profundidade. É o poço mais fundo do Soajo, oval, e há quem diga que em alguns pontos não se vê o fundo. Por isso o nome.

O acesso é fácil em comparação com outras lagoas da serra: uma escadaria de cimento de cerca de 400 metros, com guardas de madeira, desce da estrada até ao leito do rio. Em compensação, a sinalização da estrada é quase inexistente, o que continua a apanhar de surpresa quem vai de carro sem coordenadas. Lá em baixo, encaixado num vale profundo de granito polido pelo rio, está o poço com a sua pequena cascata a alimentá-lo. Há quem ate uma corda a um tronco para baloiço sobre a água. A profundidade dá para mergulhos e saltos com a técnica certa, e por isso o sítio enche em pleno verão, sobretudo fins-de-semana de julho e agosto. Quem quer o poço com sossego vai antes das 11 da manhã ou em meses fora de pico.

No mesmo rio Adrão, mais a montante, há outros poços menos óbvios — Poço do Bento, Poço das Canejas, Cascata do Soajo, Lagoa da Ladeira. Alcançam-se por trilho pedestre de cerca de 4 km (ida e volta) que começa junto à mesma ponte e não está bem sinalizado, mas para quem quer trocar a multidão por sossego absoluto, é o caminho. A água é a mesma, o sistema geológico é o mesmo: granito esculpido por séculos de rio, com poços de profundidade variável escondidos no vale. O Poço Negro tornou-se famoso por ser o de acesso mais directo; os outros continuam, em boa parte, com quem se dá ao trabalho de andar.

vai sabendo que

  • a sinalização da estrada é fraca; programa as coordenadas no telemóvel antes de sair ou marca a ponte sobre o rio Adrão como referência
  • a escadaria de descida tem cerca de 400 metros e algum desnível; é segura mas com pedra molhada torna-se escorregadia
  • a água é fria mesmo no pico do verão; o sítio está a 700 metros de altitude e o rio vem da serra
  • nos fins-de-semana de julho e agosto enche; antes das 11 da manhã ou meses fora de época é outra história
  • antes de saltar para a água, lê o fundo; a profundidade varia muito ao longo do ano e há rochas submersas perto das margens

cenas por perto

ver no mapa