Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
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Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna

a aldeia que a barragem engoliu

Em 1971, a albufeira de Vilarinho da Furna subiu e tapou tudo: casas, caminhos, a Igreja de São João, as memórias de quem ali viveu durante séculos. Quando a água baixa, nos verões mais secos, os muros voltam à superfície como um fantasma em pedra. O museu existe precisamente por causa disso.

O Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna foi fundado por iniciativa dos próprios habitantes desalojados, que recusaram deixar desaparecer o registo da sua vida comunitária. O que guardaram é impressionante: alfaias agrícolas, utensílios domésticos, fotografias, documentos e os testemunhos de uma aldeia que funcionava em regime comunitário quase único no país, com assembleias de vizinhos a decidir tudo desde os pastos até às colheitas.

Estás no Gerês, num sítio onde o passado não é reconstituição turística mas memória viva de pessoas que ainda existem. A história da aldeia submergida dá outra densidade a tudo o que vês nas vitrines, e sais daqui a olhar para a albufeira com olhos completamente diferentes.

uma comunidade fora do comum

Vilarinho da Furna não era uma aldeia qualquer. O modelo de organização colectiva que ali existia foi estudado pelo antropólogo Jorge Dias nos anos 50, tornando-a num caso de referência na etnografia portuguesa. As decisões partilhadas sobre terra, gado e trabalho não eram folclore: eram o sistema que mantinha a aldeia a funcionar há gerações.

Com a construção da barragem que inundou o vale, esse sistema deixou de ter lugar físico. O museu é, em grande medida, a tentativa de preservar não só os objectos mas a lógica de uma comunidade que organizava a vida de forma radicalmente diferente do resto do país.

o que vais encontrar

  • os muros da aldeia submersa, visíveis da margem da albufeira em anos de seca
  • espólio recolhido pelos próprios habitantes antes da inundação
  • registos etnográficos do trabalho de campo de Jorge Dias
  • uma colecção que conta uma história de expropriação, não só de tradição

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