Porto sem a Ribeira
Rodrigo Tetsuo Argenton (at Instagram:@rtargenton) CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Porto sem a Ribeira
Laszlo Daroczy from Miskolc, Hungary CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
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Porto sem a Ribeira

o porto que não cabe nos roteiros de cruzeiro

A Ribeira está sempre lá. Não precisa de ti. Este percurso ignora-a de propósito e fica nas zonas onde a cidade ainda respira sem ser cenário: Cedofeita, o eixo da Aliados, o miolo da Sé pelo lado de quem lá vive.

Faz-se a pé, sem pressa, numa tarde longa. Calçado decente: o Porto sobe e desce, e nenhuma destas paragens te resolve isso. Começa depois das duas, quando o sol já bate de lado nas fachadas viradas a poente.

O fio é uma cidade que se mostra em camadas que normalmente saltas: a fotografia documental antes de ser nostalgia, a arte feita por quem aqui ficou, uma sé sem fila e um mercado que voltou a funcionar como deve. Acaba no Mercado do Bolhão já com as bancas a fechar, que é quando se percebe o que sobrou do dia.

01

Centro Português de Fotografia

Museu · Porto

A antiga Cadeia da Relação foi durante séculos um dos edifícios mais temidos do Porto. Hoje alberga o Centro Português de Fotografia, e a tensão entre o que o lugar foi e o que agora acontece ali é a primeira coisa que sentes quando entras.

02

Igreja do Carmo

Religioso · Porto

Paredes azuis na lateral, talha dourada por dentro, uma casa com metro e meio de largura encaixada no meio. A Igreja do Carmo acumula camadas como poucas no centro do Porto.

03

Casa-Museu Fernando de Castro

Museu · Porto

Pela rua de Costa Cabral passa muita gente e quase nenhuma repara nesta moradia burguesa de três pisos. A fachada não avisa. Não há nada que prepare o visitante para o que está do outro lado da porta.

04

Sé do Porto

Catedral · Porto

Paredes de granito com ameias no interior. A Sé do Porto não disfarça as suas origens: foi concebida como igreja e como estrutura defensiva, e essa tensão ainda se sente quando entras. A nave central comprime-te com os pilares fasciculados e as abóbadas que sobem sem pedir licença.

05

Mercado do Bolhão

Mercado · Porto

Havia um lameiro aqui, atravessado por um regato que formava uma bolha de água. Desse detalhe geográfico ficou o nome: Bolhão. O edifício que conheces hoje foi construído em 1914, pelo arquitecto Correia da Silva, e foi uma obra de vanguarda para a época: betão armado, estruturas metálicas, coberturas em madeira e cantaria granítica a trabalhar em conjunto.

Se isto te puxa, há mais no norte para escolher noutro dia.

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