a fortaleza que nunca deixou de o ser
Paredes de granito com ameias no interior. A Sé do Porto não disfarça as suas origens: foi concebida como igreja e como estrutura defensiva, e essa tensão ainda se sente quando entras. A nave central comprime-te com os pilares fasciculados e as abóbadas que sobem sem pedir licença.
O edifício acumula séculos sem cerimónia. A rosácea é do século XII. A torre-lanterna, do XVI. A galilé lateral, voltada para a cidade, é de Nicolau Nasoni e data de 1736. Cada adição responde ao momento em que foi feita, e o resultado é um palimpsesto de pedra que não tenta parecer coerente.
Dentro, dois sítios pedem atenção específica. A capela do Santíssimo Sacramento guarda o chamado altar de prata, executado em fases sucessivas entre 1632 e o século XIX, com iconografia bíblica densa e escala invulgar para a ourivesaria portuguesa. No transepto esquerdo está Nossa Senhora da Vandoma, do século XIV, padroeira do Porto. O Porto é, na tradição da diocese, "civitas Virginis", e é aqui que isso se ancora.
O claustro gótico, começado nos fins do século XIV, é por si só razão para entrar. As paredes estão cobertas por sete painéis de azulejos do segundo quartel do século XVIII com cenas do Cântico dos Cânticos, em referência ao diálogo místico entre Deus e a Virgem. Na sala do Evangelista fica a arca tumular de João Gordo, Cavaleiro de Malta, com estátua jacente do século XIV. Passa-se por ela sem ver, e é o tipo de detalhe que faz a Sé.
o que encontras cá dentro
- a galilé de Nasoni, voltada para a cidade e a baixa
- o altar de prata da capela do Santíssimo Sacramento, em fases sucessivas entre 1632 e o século XIX
- os dois órgãos de tubos por cima dos cadeirais do cabido, dos séculos XVII e XIX
- os azulejos do claustro com o Cântico dos Cânticos, em sete painéis do segundo quartel do XVIII





