o edifício onde o dinheiro do porto aprendeu a ter estilo
Começou em 1842 com uma urgência pouco glamorosa: os comerciantes portuenses tinham ficado sem casa e negociavam ao ar livre na Rua dos Ingleses. A solução foi construir um dos edifícios mais carregados de ambição estética da cidade. O Palácio da Bolsa mistura neoclássico oitocentista, arquitectura toscana e influências neopaladianas inglesas, tudo no mesmo corpo, sem pedir desculpa a ninguém.
Por fora, o edifício já impressiona. Por dentro, a escala muda completamente. O pátio envidraçado, o tecto em ferro e vidro, a luz que entra e bate nas pedras, tudo prepara o terreno para o que vem a seguir.
o salão árabe e a mesa de três anos
O Salão Árabe é o sítio que ninguém esquece. Não é um capricho decorativo: as paredes e o tecto estão inteiramente revestidos de estuques do século XIX com inscrições em árabe dourado, repetindo a frase "Glória a Allah". A sala foi concebida para receber chefes de Estado em visita ao Porto, e ainda cumpre essa função. A combinação entre a gramática visual islâmica e o contexto de um palácio comercial portuense oitocentista é, para dizer o mínimo, improvável.
Na Sala dos Retratos existe outro objecto que merece atenção: uma mesa do entalhador Zeferino José Pinto que demorou três anos a ser construída. Concorreu a exposições internacionais e ganhou distinções. Continua lá.
o que vais encontrar
- estuques dourados com caracteres arábicos que cobrem tecto e paredes do piso nobre
- uma mesa de entalhe que é, sozinha, o trabalho de uma vida
- visita guiada obrigatória para aceder às salas interiores
- multidões: este é um dos edifícios mais visitados do Porto, vai preparado para isso
- o contexto imediato da Ribeira e da Sé a dois passos, que muda a leitura do sítio inteiro




