entre grades e fotografia, no coração do Porto
A antiga Cadeia da Relação foi durante séculos um dos edifícios mais temidos do Porto. Hoje alberga o Centro Português de Fotografia, e a tensão entre o que o lugar foi e o que agora acontece ali é a primeira coisa que sentes quando entras.
O edifício está mesmo ali, junto à Torre dos Clérigos, no Largo Amor de Perdição (o nome não é coincidência: Camilo Castelo Branco ficou preso nestas celas e inspirou-se para escrever o romance). As paredes, as grades, os corredores estreitos mantêm-se. A fotografia instalou-se dentro disso tudo sem apagar nada.
A coleção permanente inclui equipamento fotográfico histórico e o espólio de António Pedro Vicente, mas é o programa temporário que justifica voltas regulares. Vivian Maier, retratos ciganos, fotografias coloniais de África: as exposições chegam com peso e não ficam apenas na superfície estética. O arquivo nacional de fotografia e a biblioteca especializada estão também acessíveis para quem quiser ir mais fundo.
Sair do CPF e voltar ao Largo é sempre um momento estranho. A cidade lá fora continua igual, mas o olhar já não é exactamente o mesmo.
o edifício como exposição
A Cadeia da Relação foi construída no século XVIII e funcionou como prisão e tribunal até ao século XX. É um dos raros casos em que o contentor é tão carregado de história quanto o conteúdo que apresenta.
A decisão de não disfarçar a origem do espaço é deliberada. As celas reconvertidas, a arquitectura imponente de granito, a relação entre reclusão e o acto de olhar para imagens: há uma lógica interna que não precisas de verbalizar para sentir.
vai preparado para
- celas transformadas em salas de exposição, com todo o peso que isso implica
- uma coleção de câmaras e equipamento fotográfico que vai de daguerreótipos ao analógico recente
- exposições temporárias com programação séria, não decorativa
- o arquivo e a biblioteca, acessíveis e pouco frequentados pelo visitante comum






