uma casa que engoliu igrejas por dentro
Pela rua de Costa Cabral passa muita gente e quase nenhuma repara nesta moradia burguesa de três pisos. A fachada não avisa. Não há nada que prepare o visitante para o que está do outro lado da porta.
Fernando de Castro foi o filho de um comerciante de vidros e espelhos que prosperou o suficiente para construir uma casa nova entre 1893 e 1908. O filho herdou o gosto pelos objectos mas levou-o para outro sítio. Entre os anos 20 e o início dos anos 40 do século XX, foi comprando talha barroca retirada de igrejas e conventos desactivados, na sequência da Lei da Separação do Estado das Igrejas. Não organizou as peças por período ou por tema. Forrou as paredes. Forrou os tectos. A talha dourada acabou por cobrir os interiores quase integralmente, sala após sala, escada acima.
um coleccionador fora da norma
O acervo mistura arte religiosa erudita e popular, pintura naturalista portuguesa dos séculos XVII a XX, escultura, cerâmica e artes decorativas. Há também caricaturas e livros do próprio Fernando de Castro, que escrevia e desenhava. A disposição dos objectos nas salas é, em grande parte, a que a irmã, Maria da Luz, deixou quando doou o imóvel ao Estado, cumprindo o desejo póstumo do irmão. O museu abriu em 1952 e desde então está sob administração do Museu Nacional Soares dos Reis.
A visita é guiada e por marcação. Não apareças sem reserva.
vai preparado para
- interiores completamente revestidos de talha barroca, do chão ao tecto
- três pisos sem elevador e cinco lanços de escadas
- grupos limitados a dez pessoas por visita




