Mercado do Bolhão
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Mercado do Bolhão

um mercado que cheira a cidade a sério

Havia um lameiro aqui, atravessado por um regato que formava uma bolha de água. Desse detalhe geográfico ficou o nome: Bolhão. O edifício que conheces hoje foi construído em 1914, pelo arquitecto Correia da Silva, e foi uma obra de vanguarda para a época: betão armado, estruturas metálicas, coberturas em madeira e cantaria granítica a trabalhar em conjunto.

O Mercado do Bolhão ocupa um quarteirão inteiro da Baixa do Porto, com quatro entradas a cotas diferentes. Entras pela Rua Formosa e estás no piso térreo; entras pela Rua de Fernandes Tomás e já estás em cima. Dois pisos, bancas de frescos, talhos, peixarias, flores, e à volta do edifício lojas que vendem outra coisa. Não é um espaço plano nem linear: tens de te mover nele para o perceber.

Reabriu em setembro de 2022, depois de mais de quatro anos de obras que arrastaram décadas de promessas e processos. A renovação manteve a estrutura classificada como monumento de interesse público e trouxe restaurantes e programação cultural, com fado ao vivo às quartas-feira. O bairro à volta também faz parte da cena: a Casa Chineza, a Pérola do Bolhão e a Casa Transmontana estão mesmo ali, na mesma área de comércio tradicional da Baixa.

um século de histórias em pedra granítica

A primeira praça neste terreno é de 1839, quando a Câmara comprou os terrenos ao cabido da catedral. Durante décadas funcionou com rampas de acesso e barracas de madeira antes de ganhar a estrutura permanente. O piso que faz a ligação entre as entradas laterais só apareceu nos anos 40.

A reabilitação foi um processo longo. As primeiras patologias graves nos pavimentos foram detectadas em 1984. Seguiram-se concursos, projectos aprovados que não avançaram, mais concursos, e no meio disto tudo o júri que avaliou o projecto vencedor nos anos 90 incluía o arquitecto Álvaro Siza Vieira. Foram precisas quase quatro décadas entre o diagnóstico e a reabertura.

o que vais encontrar

  • dois pisos com bancas de frescos, peixe, talho e flores
  • entradas a cotas diferentes que mudam a perspectiva do espaço
  • restaurantes com programação de fado ao vivo
  • o miolo de uma zona de comércio tradicional que ainda existe a funcionar

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