guardião da foz do Lima
Fica mesmo na margem norte da foz do rio Lima, com o oceano de um lado e a cidade a poucos passos. A posição não é acaso: foi exactamente isso que determinou a sua existência. No século XV, Viana da Foz do Lima era um dos grandes portos marítimos portugueses, com rotas activas para a Flandres, a Galiza e a França. Esse movimento todo atraía piratas. A resposta foi construir pedra e canhão.
O Forte de Santiago da Barra que se visita hoje é o resultado de pelo menos três fases de construção sobrepostas. A mais antiga, a Torre da Roqueta, é manuelina e data do início do século XVI. Alguns investigadores apontam-na como protótipo da Torre de Belém, erguida pouco depois em Lisboa. Em 1589, sob a Dinastia Filipina, tudo foi remodelado e ampliado com traça do arquitecto militar italiano Filippo Terzi, responsável por obras de referência em Portugal e Espanha. A população da própria vila teve de transportar a pedra necessária à construção. As obras ficaram concluídas em 1596.
O resultado é uma fortaleza de planta pentagonal com muralhas de perfil trapezoidal, baluartes triangulares nos vértices voltados a terra, guaritas circulares e um fosso que a envolve. A entrada faz-se por uma ponte larga sobre esse fosso, num portal encimado pelo brasão de D. João de Sousa, governador da praça em 1700. No interior, o edifício principal, a antiga Capela de Santa Catarina (hoje Capela de Santiago da Barra) e o paiol compõem um conjunto que é, em si mesmo, um curso rápido de arquitectura militar do período filipino.
Hoje o forte alberga a sede do Turismo Porto e Norte e a Escola de Hotelaria de Viana do Castelo. A vida que existe dentro dos muros não é de museu parado: há pessoas a trabalhar, cursos a decorrer. Isso muda a experiência, torna-a menos encenada. Sair do forte com o Lima à frente e o Atlântico a fechar o horizonte é o tipo de enquadramento que Viana tem e que não se inventa.
cinco séculos de pedra sobreposta
A Torre da Roqueta é o ponto de partida. Manuelina, do início do século XVI, guarda ainda a Cruz de Cristo e a esfera armilar. À sua volta, os filipinos construíram uma fortaleza nova por cima do que existia, aproveitando a antiga estrutura como cunhal sudoeste. Filippo Terzi, que também trabalhou no Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa, assinou a traça. Quase um século de história militar condensado num único sítio.
Em 1809, durante as invasões francesas, foi aqui que se aquartelou uma Companhia de Ordenanças para conter o avanço das tropas de Soult. Não evitou a ocupação da cidade, mas o episódio ficou registado. O forte foi-se degradando ao longo do século XX. Só em 1983 voltou a ter uso regular, primeiro com a Região de Turismo do Alto Minho, depois com a escola de hotelaria. Está em curso um plano de recuperação que prevê um centro interpretativo dos Caminhos de Santiago.
o que vais encontrar
- a Torre da Roqueta no bastião sudoeste, com decoração manuelina original
- o fosso que circunda a fortaleza, ainda intacto
- a ponte e o portal de entrada com brasão seiscentista
- a Capela de Santiago da Barra, de origem medieval, no interior do recinto
- o forte com vida activa: escola de hotelaria em funcionamento nos quartéis




