mil e seiscentas peças numa casa do século XVIII
O Saramago escreveu que, se ficasses a estudar isto em pormenor, terias de acabar a viagem aqui. A colecção de faianças portuguesas do Museu de Artes Decorativas é, segundo ele próprio, a mais completa e rica do país. Cerca de 1600 peças. Não é força de expressão.
O edifício é a Casa dos Barbosa Maciel, construída em 1724 e instalada no Largo de São Domingos. A câmara comprou-a em 1920 e foram dois locais, o Dr. Luís Augusto de Oliveira e o professor Serafim Neves, quem montou o museu ali dentro. A ala nova chegou em 1990, desenhada por Luís Teles, para dar espaço ao que ia crescendo.
o que está lá dentro
A faiança é a âncora, incluindo peças da Fábrica de Louça de Viana do Castelo, activa entre 1774 e 1855. Mas há mais: azulejos de Policarpo de Oliveira e de Valentim de Almeida, mobiliário Indo-Europeu dos séculos XVII e XVIII, marfim, esmalte, alabastro. Pinturas e desenhos de artistas portugueses de Setecentos e Oitocentos completam o quadro. É um arquivo de gosto, não uma decoração de sala.
Estás no centro histórico de Viana, a poucos metros de fachadas manuelinas que o próprio Saramago elogiou. O museu encaixa nesse contexto: não é uma visita isolada, é a peça interior de uma cidade que ainda mantém a camada histórica visível na rua.
vai preparado para
- a colecção de faianças como ponto central, não como complemento
- azulejos de dois dos grandes nomes da azulejaria portuguesa do século XVIII
- uma ala nova que contrasta com o edifício original de 1724
- o largo de São Domingos como contexto imediato, com o casario histórico à volta




