Palácio Nacional de Sintra
Jorge Franganillo CC BY 2.0 · flickr.com

Palácio Nacional de Sintra

o último palácio medieval que sobreviveu em Portugal

O que vês no centro histórico de Sintra, com as duas chaminés cónicas de 33 metros a coroar a silhueta, é o único palácio medieval português que sobreviveu como conjunto. Foi habitado durante quase oito séculos pela família real, e atravessou toda a história de Portugal, das primeiras dinastias a D. Maria Pia, a última rainha que aqui viveu. As origens vão ao período islâmico (séculos X-XI, quando Sintra era território muçulmano), e a estrutura que hoje se conhece resulta de acrescentos sucessivos ao longo dos séculos. Foi reedificado a partir do final do século XV, com obras que se prolongaram pelos reinados seguintes, e está classificado como Monumento Nacional desde 1910 e integra a Paisagem Cultural de Sintra, Património Mundial UNESCO desde 1995.

O marco que se vê de longe são as duas chaminés cónicas, construídas no primeiro quartel do século XV durante o reinado de D. João I, atribuídas ao mestre de pedraria João Garcia de Toledo. Servem a monumental cozinha do palácio, dimensionada para os banquetes de caça que aqui se preparavam: várias fornalhas, dois fornos grandes, uma estufa para manter a comida quente, e uma colecção de cobre estanhado (marmitas, panelas, tachos, peixeiras). As paredes em azulejo branco e a composição com as armas de Portugal e Saboia foram acrescentadas em 1889 por D. Maria Pia. A cozinha sozinha já justifica a entrada.

No registo das salas, o palácio mistura camadas. A Sala dos Brasões, construída por ordem de D. Manuel I entre 1508 e cerca de 1520, tem o tecto coberto pelas armas de 72 famílias nobres portuguesas e dos oito filhos do rei (com o seu próprio brasão ao centro). É uma das salas heráldicas mais completas da Europa. A Sala dos Cisnes deve o nome aos 27 cisnes pintados no tecto, e está ligada à figura da infanta D. Isabel, filha de D. João I, que casou com o duque de Borgonha em 1430 (a tradição liga a presença dos cisnes a essa relação dinástica). Na Sala das Pegas, a tradição liga a decoração com 136 pegas no tecto, cada uma com um "Por bem" no bico, a um beijo público de D. João I a uma dama da corte, e à reacção das outras donzelas que falaram do caso. A frase fica como divisa do rei.

O circuito de visita atravessa muitas mais peças. A Sala dos Archeiros (na entrada), a Câmara do Ouro, o Guarda Roupa, o Camarim, a Sala das Galés, as Câmaras de D. João III, a Sala Manuelina, a Capela com tecto mudéjar, a Casa do Conselho, a Câmara de D. Afonso VI (onde o rei foi encarcerado pelo próprio irmão entre 1674 e 1683), os Aposentos de D. Maria Pia, e o Pátio Central com a Gruta dos Banhos. Em quase todas as salas, o que mais chama a atenção são os revestimentos azulejares hispano-mouriscos importados de Sevilha por D. Manuel I, que reflectem o gosto mudéjar (a síntese entre arte cristã e muçulmana que marca toda a arquitectura do palácio). Conta duas a três horas para fazer o conjunto com calma.

a cena toda

  • único palácio medieval português sobrevivente, habitado por quase oito séculos
  • duas chaminés cónicas de 33 metros, marca da silhueta da vila de Sintra
  • sala dos Brasões com armas de 72 famílias nobres e dos oito filhos de D. Manuel I
  • sala dos Cisnes e Sala das Pegas, com lendas próprias dos tectos pintados
  • gosto mudéjar e azulejaria hispano-mourisca por todo o conjunto

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