Palácio da Pena
Jakub Hałun CC BY 4.0 · Wikimedia Commons

Palácio da Pena

a coroa romântica no cimo da serra

Há um palácio em Portugal que se recusa a ser discreto. Amarelo-torrado numa ala, vermelho-sangue noutra, com torres mourisquesas, janelas manuelinas e um tritão de pedra a segurar o portal de entrada como se o sítio fosse literalmente uma porta para outro mundo. O Palácio da Pena não tenta integrar-se na paisagem: domina-a.

Foi D. Fernando II, rei-consort e pintor amador com gosto excêntrico, quem transformou as ruínas de um convento hieronimita do século XVI naquilo que vês hoje. A construção arrancou em 1842 e nunca teve uma lógica estilística coerente, o que era exactamente a intenção. O Romantismo português tem aqui o seu monumento mais radical: um palácio onde o neogótico, o neomanuelino e o mourisco coexistem sem pedir desculpa a ninguém.

Por dentro, a cena é outra. Os apartamentos reais conservam a decoração de finais do século XIX quase intacta: azulejos alemães, mobiliário pesado, louças de Meissen, tapeçarias. Há uma cozinha de cobre brilhante que parece pronta a usar e uma sala árabe revestida a estuque com a concentração ornamental de uma mesquita em miniatura. O parque que rodeia o palácio tem quilómetros de caminhos sob um coberto vegetal denso, com espécies de vários continentes plantadas por iniciativa do próprio D. Fernando.

A vista do terraço sobre a serra de Sintra, o Atlântico e, em dias limpos, Lisboa, explica por que razão este cume foi sempre estratégico. Chegar lá a pé pela floresta, em vez de apanhar o autocarro, muda completamente a forma como o palácio aparece à frente dos teus olhos.

a história por detrás da extravagância

O convento que existia neste cume antes do palácio pertencia à Ordem de São Jerónimo e foi parcialmente destruído pelo terramoto de 1755. Quando D. Fernando II o comprou, em 1838, restavam a capela e parte da estrutura original. Essas ruínas foram incorporadas no novo edifício: a antiga igreja manuelina ainda está lá, preservada dentro do conjunto maior.

O arquitecto responsável pelo projecto foi o barão Wilhelm Ludwig von Eschwege, engenheiro militar prussiano que já conhecia bem Portugal. A sua influência é visível nas torres e ameias que dão ao palácio o perfil de castelo medieval alemão. Mas D. Fernando meteu a mão na massa literalmente: deixou desenhos, tomou decisões e impôs o seu gosto pessoal em cada fase da obra.

o que vais encontrar

  • o contraste de cores externas que nenhuma fotografia prepara bem
  • os apartamentos reais com a decoração original intacta, raros em Portugal
  • a antiga capela manuelina integrada dentro do palácio
  • o parque com espécies exóticas e vistas para o Atlântico
  • multidões consideráveis, sobretudo nos terraços

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