Castelo de Silves
Lacobrigo CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Castelo de Silves

o grés vermelho que domina o algarve

Há uma pedra específica que dás por ela mal entras em Silves: o grés avermelhado, cortado aqui mesmo, que reveste as muralhas do castelo e lhe dá a tonalidade que não esqueces. Não é tinta, não é restauro recente. É o material de origem, chamado grés de Silves, que os construtores islâmicos usaram para forrar a taipa que ergueram no ponto mais alto da colina.

O Castelo de Silves ocupa cerca de 12.000 metros quadrados e forma um polígono irregular com onze torres ligadas por um caminho de ronda 388 metros. A entrada principal faz-se por uma porta dupla com átrio, ladeada por duas dessas torres. Na zona norte da muralha existe ainda a chamada Porta da Traição, um postigo discreto que permitia sair da alcáçova sem passar pela medina. O nome explica a função.

No interior encontras o aljibe, a cisterna que abastecia boa parte da cidade: vinte metros de comprimento, dezasseis de largura, tecto a sete metros fechado por quatro abóbadas de canhão lado a lado, suportadas por seis colunas centrais. A escala é de outra época, quando a água dentro de muros era a diferença entre resistir e render. A visita em si é em grande parte ao ar livre, com vistas sobre os telhados de Silves e a várzea do Arade que se abre para sul.

xelb, a capital que os cruzados viram

No século X, o historiador árabe Arrazi já descrevia Silves como a melhor vila do Algarve. A cidade islâmica de então tinha nome próprio: Xelb. Nos séculos seguintes tornou-se capital de uma taifa, sob Al-Mutamid, e o castelo funcionava tanto como residência como como posto de controlo sobre o rio Arade, que era navegável e ligava o interior ao Atlântico.

Em 1189, D. Sancho I tomou Silves com o auxílio de cruzados em trânsito para a Terra Santa. A conquista durou pouco: os mouros retomaram a cidade pouco depois. O cerco foi descrito por cronistas islâmicos e por Alexandre Herculano, que deixou um retrato da cidade vista pelos cruzados, coroada pela alcáçova no topo do monte. A reconquista definitiva só aconteceu com D. Afonso III, em meados do século XIII. Junto à entrada principal está a estátua em bronze de D. Sancho I, o único rei português a conquistar (e perder) este castelo.

Em 1456, o Infante D. Henrique tornou-se alcaide de Silves. Há vestígios de um engenho de açúcar dos séculos XIV ou XV nas imediações, possivelmente ligado ao Infante, que promoveu o cultivo da cana na região e nas ilhas atlânticas. O castelo foi classificado como monumento nacional em 1910 e restaurado na década de 1940. O que vês hoje é o resultado dessas intervenções sobre o que os sismos de 1504 e 1587 ainda deixaram de pé.

vai preparado para

  • muralhas de grés vermelho que mudam de cor ao longo do dia
  • o aljibe árabe, um dos maiores espaços cobertos medievais que podes entrar no algarve
  • a Porta da Traição na muralha norte, quase sempre ignorada pelos grupos
  • vistas sobre o centro histórico de Silves e a planície do Arade

cenas por perto

ver no mapa