Museu Municipal de Arqueologia de Silves
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons

Museu Municipal de Arqueologia de Silves

o museu que foi construído à volta de um buraco

Há um poço no centro do museu. Tem 18 metros de profundidade, 2,5 metros de diâmetro, e foi escavado em blocos de grés algures no século XI. Quando foi descoberto em 1979, já estava entulhado há quatro séculos. O museu cresceu à volta dele, e hoje é o elemento central de tudo.

O Museu Municipal de Arqueologia de Silves foi desenhado pelo arquitecto e arqueólogo Mário Varela Gomes especificamente para integrar esta estrutura, que é Monumento Nacional. Há ainda um lanço das antigas muralhas da cidade embutido no edifício, do mesmo período islâmico. Não és tu que vais ao passado: é o passado que está estruturalmente presente na arquitectura onde entras.

O acervo percorre tudo, do Paleolítico ao século XVII, mas o peso narrativo está mesmo no período almóada, entre os séculos XII e XIII, quando Silves era uma das cidades mais ricas do Al-Andalus. Peças de cerâmica, vidro e objetos de uso quotidiano, muitos recolhidos nas escavações do Castelo e das ruas do centro histórico, contam essa cidade com uma densidade que os folhetos não conseguem.

Para quem anda pelo Algarve à procura de qualquer coisa para além da linha de costa, este museu é o argumento mais sólido que Silves tem para te prender durante uma tarde inteira.

ligações que atravessam o Mediterrâneo

A colecção do período moderno, séculos XV a XVII, revela algo que surpreende: Silves mantinha rotas comerciais com regiões distantes, e os objectos que ficaram para trás fazem prova disso. Peças de origens diversas mostram que esta não era uma cidade isolada no pós-conquista.

Essa dimensão de cruzamento cultural continua activa na forma como o museu trabalha. Desde 2005 integra a rede internacional Museum With No Frontiers, na secção Discover Islamic Art. Ao longo dos anos recebeu exposições em parceria com o Museu de Marrocos, o Museu do Louvre e o Museu do Oriente, e chegou a ter peças presentes em Paris e Lisboa.

o que vais encontrar

  • o poço-cisterna islâmico com 18 metros de fundo, visível do interior do museu
  • um lanço de muralha almóada integrado no edifício
  • oito núcleos temáticos do Paleolítico ao século XVII
  • cerâmica almóada em quantidade e qualidade fora do comum
  • um museu pequeno mas com uma ideia muito clara do que é

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