Museu Nacional dos Coches
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Museu Nacional dos Coches

o maior acervo de coches do mundo, mesmo à beira do Tejo

Foi uma rainha que criou isto. D. Amélia de Orléans e Bragança, em 1905, transformou o Picadeiro Real de Belém no primeiro museu de coches do mundo. A ideia era simples: reunir as viaturas da Casa Real antes que desaparecessem dispersas pelas cocheiras de vários palácios. O que não era simples era a dimensão do que estava guardado.

O Museu Nacional dos Coches funciona hoje em dois espaços separados pela mesma praça. O edifício novo, inaugurado em 2015 e desenhado pelo arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha (Prémio Pritzker 2006, em parceria com Ricardo Bak Gordon), guarda a maior parte da colecção. O Picadeiro original mantém um núcleo próprio com coches, berlindas e a galeria de pintura da família real. São dois registos distintos: um espaço histórico do século XVIII e um contentor de betão e aço do século XXI com obras de arte de tiro animal lá dentro.

A colecção ultrapassa os 9 000 objectos. As viaturas de aparato dominam, algumas cobertas de talha dourada e painéis pintados a óleo com cenas mitológicas. Mas há também arreios exóticos que chegaram como ofertas diplomáticas: um arreio de caça mexicano em prata, arreios argelinos oferecidos por um coronel ao rei D. Luís, uma sela gaúcha do Brasil, um arreio indiano de Goa. É, sem querer, um arquivo da rede de relações da monarquia portuguesa com o mundo.

Sais daqui com uma ideia muito concreta do que significava deslocar-se em Portugal entre os séculos XVI e XIX, e de como Belém foi, durante séculos, o centro de gravidade do poder que partia e chegava ao país pelo rio.

o edifício de Paulo Mendes da Rocha

O novo edifício gerou polémica quando foi inaugurado. A estrutura elevada sobre pilotis, com uma fachada que não comunica facilmente com a rua, pareceu a muitos demasiado fria para guardar objectos com tanto ornamento. Mas o interior funciona: a luz natural controlada, as rampas de circulação e a escala do espaço permitem ver os coches como volumes, não apenas como peças de museu atrás de vidro.

É um dos poucos edifícios de um Pritzker em Portugal, e merece atenção por si mesmo. Quando percorres as rampas e os coches aparecem a diferentes cotas de altura, percebes que o arquitecto pensou na experiência de circulação tanto quanto nas condições de conservação.

o que vais encontrar

  • coches de gala com painéis pintados que são, tecnicamente, obras de arte autónomas
  • o contraste entre o picadeiro do século XVIII e o betão do edifício novo
  • arreios e ofertas diplomáticas de México, Argélia, Brasil e Goa
  • filas de grupos escolares de manhã, mais tranquilo a meio da tarde

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