o monumento estado-novo que ninguém combina, mas todos visitam
O Padrão fica em Belém, na margem do Tejo, mesmo em frente à Rosa dos Ventos desenhada no chão. A primeira versão, em materiais perecíveis, foi montada em 1940 para a Exposição do Mundo Português com um propósito claro: celebrar os Descobrimentos como acto fundador de uma identidade nacional que o Estado Novo queria fixar. Vinte anos depois, no quinto centenário da morte do Infante D. Henrique, ergueu-se a versão definitiva em betão e pedra. A arquitectura é de Cottinelli Telmo, a escultura de Leopoldo de Almeida. Cottinelli Telmo não viveu para ver o resultado — morreu em 1948. A construção de 1960 foi executada por António Pardal Monteiro com base no projecto original.
A forma resolve-se em proa de caravela: dois flancos descendentes com figuras encostadas, e o Infante na ponta da proa, virado para o rio. As trinta e duas figuras são todas reconhecíveis se vens com o esquema na mão: Vasco da Gama, Camões, Pedro Álvares Cabral, Bartolomeu Dias, Fernão Mendes Pinto, Magalhães, Diogo Cão, e por aí. O grupo inclui navegadores, cartógrafos, missionários, escritores, e a única figura feminina é D. Filipa de Lencastre, mãe do Infante. A leitura ideológica está toda lá, à vista, sem disfarce.
Lá dentro, há elevador que sobe até ao topo. A plataforma fica a 56 metros e dá vista sobre o Tejo, os Jerónimos, a Torre de Belém à esquerda, e a ponte 25 de Abril ao fundo. É uma das melhores vistas de Lisboa: não estás alto como no Cristo Rei, mas ficas mesmo em cima da margem do rio, com a coisa toda alinhada à tua frente.
Não te esqueças do chão à frente. A Rosa dos Ventos com o planisfério gravado é peça à parte, oferta da África do Sul nos anos 60, e marca as rotas portuguesas com datas. Vais encontrar gente a tirar fotografias de pé em cima dos descobrimentos como se fossem casas no mapa. A vista de cima do monumento sobre a Rosa também é parte do programa.
a cena toda
- versão actual de 1960, em betão e pedra; original de 1940 em materiais perecíveis
- arquitectura de Cottinelli Telmo, escultura de Leopoldo de Almeida
- proa de caravela com 32 figuras, Infante D. Henrique na ponta
- elevador interior até ao miradouro a 50 metros, vista de Belém a Belém
- Rosa dos Ventos com planisfério gravado no chão, à frente do monumento



