Museu de Arte Popular

artesanato português do século xx, em bloco na margem do tejo

Um edifício comprido e branco, encostado ao rio mesmo antes da Torre de Belém. Construído para a Exposição do Mundo Português de 1940, o Museu de Arte Popular abriu aqui dois anos depois e nunca saiu. Está na mesma posição há mais de oitenta anos, com o Tejo à frente e os Jerónimos às costas.

Lá dentro, o país divide-se por regiões. Cada sala representa uma zona diferente: o Minho, Trás-os-Montes, a Beira, o Alentejo, o Algarve, as ilhas. O que vês não é reconstituição etnográfica com ecrãs tácteis. São objectos reais, recolhidos no terreno a partir dos anos 40, quando muita desta produção artesanal ainda estava viva como prática quotidiana.

O que distingue o museu é exactamente esse período de recolha. Estás a ver uma fotografia do que existia antes da industrialização completar o trabalho que já estava a fazer. Miniaturas, têxteis, cerâmica, trabalhos em cortiça e em vime. Não como peças decorativas, mas como objectos com função, feitos por pessoas com um nome e um sítio.

Sais com uma ideia mais clara de como Portugal era diferente de si próprio, região a região, antes de tudo começar a parecer-se.

a exposição permanente como arquivo vivo

A colecção foi pensada por um grupo de artistas e etnógrafos ligados ao Estado Novo, o que tem implicações na leitura: há uma narrativa construída sobre o "povo português" que importa considerar enquanto percorres as salas. O museu não esconde isso, mas também não o tematiza de forma central.

O que fica, para além da política cultural que presidiu à criação do espólio, são os próprios objectos. Painéis pintados por artistas como Almada Negreiros e João Follows enquadram as peças nas salas, o que dá ao espaço uma estética particular, meio museu, meio instalação dos anos 40.

o que vais encontrar

  • objectos domésticos e de trabalho de todas as regiões do continente e ilhas
  • painéis decorativos de artistas portugueses do século xx integrados na arquitectura das salas
  • um edifício do Estado Novo com vistas directas para o Tejo
  • pouco movimento, mesmo nos dias mais cheios de Belém

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