castelo novo porque já tinha havido um castelo velho
O topónimo aparece pela primeira vez em 1208, num testamento que doa "a terra a que chamam Castelo Novo" aos Templários. O nome é literal: o castelo novo foi edificado para substituir um Castelo Velho, no topo da Serra da Gardunha, abandonado quando a fortificação desceu para a vertente leste, a 650 metros de altitude. Castelo Novo está hoje agarrada a essa encosta, aldeia pequena de granito empilhado em socalcos, com a rocha viva a aparecer nas paredes das casas e no pavimento das ruas.
O castelo propriamente dito é uma ruína. Da fortaleza templária do início do século XIII, reforçada por D. Dinis no final do mesmo século (são suas as ameias e adarves dionisinas que ainda se distinguem em troços da muralha), restam panos descontínuos e a torre sineira manuelina. Foi abandonado no século XVII e nunca mais voltou a função defensiva. Sobes pelas escadas estreitas até ao alto e o que paga o esforço é a vista: o anfiteatro natural da Gardunha aberto em baixo, com Castelo Novo encaixada no meio.
O coração da aldeia é o Largo do Pelourinho, onde três estilos arquitectónicos coexistem num espaço minúsculo sem se atrapalharem. O pelourinho é manuelino, do reinado de D. Manuel I, com fuste octogonal na base e cilíndrico no remate. A Casa da Câmara e Cadeia, encostada à Torre Sineira, foi mandada construir por D. Dinis em 1290 e renovada por D. Manuel I em 1510, que lhe acrescentou as armas reais, a cruz da Ordem de Cristo e a esfera armilar; hoje funciona como Núcleo Museológico, com peças das escavações do castelo. E o chafariz embutido na fachada da Casa da Câmara é barroco, do reinado de D. João V (século XVIII), com brasão real e três bicas. Medieval, manuelino e barroco a discutirem em civilizado a poucos metros uns dos outros.
Vai num dia de semana fora de época, se puderes. Em janeiro ou fevereiro tens o sítio quase só para ti, com a desvantagem do frio: a Gardunha está mesmo em cima e o vento não brinca. No verão a aldeia enche, especialmente ao fim-de-semana, mas tem uma compensação que poucas das suas pares têm: à entrada, na ribeira de Alpreade, está a Praia Fluvial de Castelo Novo, com quatro piscinas em níveis diferentes e cascatas a separá-las. A aldeia fica cerca de 700 metros acima, e o trilho PR11 sobe da praia ao topo passando por dentro do casario. Mergulhas e sobes, ou sobes e mergulhas.
vai sabendo que
- o castelo é ruína; sobe-se pelas escadas estreitas até ao topo, com piso irregular e desnível
- o chafariz do Largo do Pelourinho é barroco D. João V, não manuelino como muitas vezes se assume
- a Casa da Câmara funciona hoje como Núcleo Museológico, com peças das escavações do castelo
- a praia fluvial à entrada da aldeia funciona em julho e agosto, sem nadador-salvador
- não há concentração de comércio nem restaurante em cada esquina; sobe e desce com o que precisas





