a serra trata dos miúdos por ti
A Cova da Beira não foi pensada para fim de semana com agenda turística apertada, e ainda bem. O terreno faz metade do trabalho: rios rasos, prados planos, aldeias onde os miúdos podem largar a mão sem te causar enfarte.
O fio é simples. Começas a sul, em Castelo Novo, porque é uma aldeia histórica pequena onde correr não é problema. Sobes depois para a parte central da Cova. A meio do segundo dia chegas ao Covão d'Ametade, e é aí que percebes porque é que toda a gente fala daquele prado. Os miúdos descalçam-se sem te perguntarem.
Castelo Novo
O topónimo aparece pela primeira vez em 1208, num testamento que doa "a terra a que chamam Castelo Novo" aos Templários. O nome é literal: o castelo novo foi edificado para substituir um Castelo Velho, no topo da Serra da Gardunha, abandonado quando a fortificação desceu para a vertente leste, a 650 metros de altitude. Castelo Novo está hoje agarrada a essa encosta, aldeia pequena de granito empilhado em socalcos, com a rocha viva a aparecer nas paredes das casas e no pavimento das ruas.
Belmonte
Numa encosta granítica da Cova da Beira, a 620 metros, com a Serra da Estrela do outro lado do Zêzere, há uma vila pequena com duas histórias paralelas que se cruzam nas mesmas ruas. Belmonte é terra dos Cabrais, navegadores e alcaides desde 1398, e da comunidade judaica que aqui resistiu durante cinco séculos a fingir-se cristã.
Ecomuseu do Zêzere
O edifício é metade da história. Instalado na antiga Tulha dos Cabrais (o celeiro da família que está no centro da vila de Belmonte), o ecomuseu ocupa uma construção sóbria de granito, assente directamente sobre rocha viva, em frente ao solar dos Cabrais. As rampas de acesso são uma adaptação posterior, feita quando se abriu a estrada à porta.
Praia Fluvial de Belmonte
Acima da albufeira do Caldeirão, no troço do Zêzere que ainda corre como rio, a praia fluvial de Belmonte instala-se numa zona alargada de margem com acesso ordenado. É equipamento municipal, com a estrutura habitual destas praias da Beira: areia ou relva, escadas para entrar na água, alguns chapéus, apoio mínimo no verão.
Faz tudo a passo de Cova da Beira. Não é distância que te vai cansar, é tentar encaixar a serra num horário de visita. Ao domingo à tarde, se o tempo aguentar, deita os miúdos na água da praia fluvial e deixa-os ali até a luz baixar. O resto fica para a próxima.





