Aqueduto de Santa Clara - Vila do Conde

perto de mil arcos para resolver um problema de água

O Mosteiro de Santa Clara foi fundado em 1318 mesmo à beira do rio Ave, e nunca teve água potável a sério apesar disso. A água do rio não servia, e durante quase quatro séculos o abastecimento foi feito por nora. A primeira tentativa de aqueduto, ordenada em finais dos anos 1620 pela abadessa D. Maria de Meneses, falhou: erro no cálculo da inclinação, obras abandonadas, ruínas. Só em 1705 outra abadessa, D. Bárbara Micaela de Ataíde, retomou o projecto, e a obra foi concluída em 20 de outubro de 1714. Quase quatro séculos depois da fundação do mosteiro, o convento finalmente teve água.

A escala da solução é o que torna o aqueduto particular. A água vinha de uma nascente em Terroso, na Póvoa de Varzim, e percorria vários quilómetros desde aí até Vila do Conde. O troço inicial é subterrâneo até Beiriz, e a partir desse ponto começa a estrutura visível: uma linha de arcos de volta perfeita que se prolonga pela paisagem até chegar ao mosteiro. A tradição local fala em 999 arcos (número simbólico e provavelmente fantasioso), mas estudos sérios apontam para um total entre 907 e mil, dependendo de como se contam os registos. Em qualquer dos casos, é uma das estruturas de aqueduto mais longas do país, e a única do norte construída a esta escala.

O troço que sobreviveu melhor encontra-se nos últimos arcos perto do mosteiro, na Rua Dom Nuno Álvares Pereira. Aí podes andar a pé ao lado da estrutura, ver os arcos a baixar progressivamente em direcção ao destino final, e perceber a escala. Outros troços estão dispersos pelo percurso, alguns integrados em propriedades particulares, outros em zonas urbanas mais recentes que se desenvolveram à volta. Não há circuito unificado a pé do início ao fim, mas há vários pontos de paragem em que se vê bem.

O padroeiro do aqueduto é Santo António, e na fonte original em Terroso há um nicho com imagem do santo, montada na conclusão da obra em 1714. Combina bem com a visita ao Mosteiro de Santa Clara (logo ao lado do troço final) e com a frente ribeirinha de Vila do Conde, com a fábrica de lápis histórica, a praia, e o casco urbano antigo.

o que vais encontrar

  • aqueduto setecentista entre Terroso (Póvoa de Varzim) e o Mosteiro de Santa Clara
  • entre 907 a mil arcos de volta perfeita ao longo do percurso visível
  • troço final na Rua Dom Nuno Álvares Pereira, transitável a pé
  • obra retomada em 1705 e concluída em 1714, depois de tentativa anterior falhada
  • padroeiro Santo António, com imagem original na fonte em Terroso

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