onde o atlântico petrificou cavalos
A sul da foz do Cávado, o areal estende-se comprido e encostado a um pinhal que funciona como anteparo natural ao vento. Chegares de carro é fácil: há estacionamento, passadiços em madeira sobre as dunas e a praia concessionada logo à frente. Tudo isso existe em muitos sítios. O que não existe é o que aparece a 500 metros do areal quando a maré baixa.
São os Cavalos de Fão: afloramentos de quartzito ordovícico com mais de 350 milhões de anos que emergem do mar como um arquipélago de pedra escura coberto de espuma branca. A lenda diz que o Rei Salomão os deixou cair aqui a caminho de Ofir; a geologia diz que são testemunhos de uma era em que só havia vida no mar, com icnofósseis de Scolithus e Cruzianas visíveis em alguns pontos. Em maré alta desaparecem, e isso custou navios. Em maré baixa, a espuma que o vento esparge por cima deles deixa perceber exactamente o que assustou gerações de mareantes.
A sul dos Cavalos fica outra formação chamada Pena, da mesma época geológica e com orientação semelhante. Menos célebre, mas tão viva: ambas funcionam como recifes artificiais naturais dentro da área marinha do Parque Natural do Litoral Norte, cheios de espécies que usam as rochas como abrigo e zona de alimentação.
A Praia de Ofir tem tudo o que precisas para um dia completo de vento e ondas, com escolas de surf e condições para kitesurf e windsurf num atlântico que aqui não faz cerimónia. Mas é com a maré a descer que a praia mostra o que a distingue: vai com o telemóvel carregado e consulta as tábuas de maré antes de sair de casa.
vai preparado para
- os cavalos de fão só aparecem com maré baixa: verifica as tábuas antes
- vento constante mesmo no verão, o pinhal não o pára todo
- ondulação forte e correntes típicas de atlântico exposto
- a formação da pena, a sul, praticamente sem sinalização turística



