Miradouro da Fóia
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons
Miradouro da Fóia
Portuguese_eyes CC BY-SA 2.0 · flickr.com
Miradouro da Fóia
Portuguese_eyes CC BY-SA 2.0 · flickr.com

Miradouro da Fóia

o tecto do algarve, com antenas incluídas

Novecentos e dois metros acima do mar. Cá em cima o vento é outro, a temperatura desce e o horizonte abre de uma forma que nenhuma outra cota do Algarve consegue igualar. A Fóia é o ponto mais alto de toda a região, e isso vê-se, sente-se e ouve-se no silêncio que as antenas de telecomunicações não conseguem anular.

Porque elas estão lá. Bem no topo, imponentes, a servir de infraestrutura de transmissão para o Algarve inteiro. Nenhum folheto as fotografa, mas fazem parte da paisagem tão honestamente quanto os arbustos de urze e os afloramentos de rocha. Quem vai à Fóia à espera de um pico selvagem sai com uma versão mais real do território.

A vista compensa. Em dias limpos, o semicírculo é impressionante: para sul e poente a costa algarvia e o Cabo de São Vicente; para norte, dependendo da visibilidade, a Serra da Arrábida. Para leste, Faro e toda a orografia que enche o interior algarvio. A nebulosidade pode fechar tudo em minutos, por isso o timing conta. Quando o céu decide colaborar, fica gravado.

No topo há um café e lojas de artesanato. O ponto de chegada tem mais gente do que o caminho até lá, o que diz tudo sobre a diferença entre subir a pé pela serra e chegar de carro. A encosta guarda castanheiros, medronheiros e o carvalho que só cresce aqui em Portugal, o carvalho-de-Monchique, como se a serra soubesse que tem algo a provar.

a serra que não é só montanha

Monchique está integrada na Rede Natura 2000, o que não é apenas uma classificação burocrática. A flora desta serra tem especificidades que a botânica levou décadas a catalogar: espécies endémicas do sudoeste peninsular que fora daqui não existem em território nacional, plantas que encontram aqui o limite sul da sua distribuição em Portugal.

O sub-bosque mistura sobreiros com eucaliptos e acácias, resultado de séculos de pressão sobre o coberto original. O que resta de nativo tem peso: urze, tojo, medronheiro e, nas zonas mais frescas, o carvalho-de-Monchique, nome que o identifica com o único lugar do país onde cresce de forma espontânea. A subida à Fóia pelo trilho PR3 atravessa parte desse mundo antes de o trocar pela pedra e pelas antenas do cume.

vai preparado para

  • nebulosidade que pode cobrir tudo, mesmo em pleno verão
  • antenas de telecomunicações bem visíveis no topo
  • vento e temperatura consideravelmente mais baixos do que na costa

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