Vila de Marvão
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Vila de Marvão

ibn marwan escolheu este cume porque podia ver sem ser visto

Marvão está agarrada à crista quartzítica mais alta a sul do Tejo, a mais de 800 metros, no extremo nordeste do Alentejo, a 6 km da fronteira com Espanha. Quem escolheu o sítio foi Ibn Marwan, líder muladi rebelado contra o emirado de Córdova, por volta de 876-877. Subiu ao cume porque dali via sem ser visto, e porque algumas centenas de metros abaixo, no vale do rio Sever, ficavam as ruínas de Ammaia, a cidade romana abandonada de onde se podia tirar gente, pedra e mão-de-obra. O Museu Monográfico da Cidade Romana de Ammaia, no sopé, conta essa metade da história. A outra está em cima.

O castelo ocupa o extremo norte da vila e empilha sete séculos de obra militar sem que ninguém tenha demolido nada. Os panos originais são dos séculos XII e XIII (D. Afonso Henriques toma Marvão por volta de 1166, D. Sancho II dá-lhe foral em 1226). A cerca urbana é do XIV. A configuração actual da Torre de Menagem e a grande cisterna abobadada, no albacar, são do XV. Os baluartes estrelados e as portas reforçadas (Rodão, Vila, Fortim, Rua Nova) vêm das Guerras da Restauração, no XVII. A cisterna grande, com perto de 10 metros de altura e mais de 40 de comprimento, é uma das maiores em castelos portugueses, e abastecia a vila durante meses em situação de cerco. Continua a encher de água da chuva pelas claraboias.

Do adarve vê-se a Serra da Estrela ao norte, o vale do Tejo, Castelo Branco, e as serras da raia castelhana a leste. Para sul, o Parque Natural da Serra de São Mamede começa onde as muralhas acabam. A vila intramuros é pequena, percorre-se em meia hora, com ruas demasiado estreitas para dois carros, casas brancas caiadas (regra municipal estrita) e janelas com hortas atrás. As pessoas moram cá, mas são poucas: a freguesia conta-se às dezenas. Por isso a vila funciona melhor cedo de manhã ou ao fim do dia, quando os autocarros já saíram ou ainda não chegaram.

Se vais combinar com mais qualquer coisa: Castelo de Vide, outra Aldeia Histórica, fica a cerca de 15 minutos de carro a norte, com judiaria notável e sinagoga preservada. E aos pés da serra, no rio Sever, a Praia Fluvial de Portagem, oferece a contracena de água: sobes a Marvão para a vista, desces à Portagem para mergulhar, com a ponte quinhentista por cima.

vai sabendo que

  • chega-se de carro pela única estrada que sobe; estaciona-se fora das portas (Porta de Rodão, normalmente) e o resto faz-se a pé
  • as ruelas têm largura de passagem a pé, com calçada irregular e desnível constante
  • a cisterna grande no castelo desce-se por escadas em pedra, com pouca luz; cuidado com o piso
  • em julho e agosto chegam autocarros de excursão; cedo de manhã ou depois das 18h tens a vila quase só para ti
  • as casas têm de ser caiadas a branco por regra municipal; em janeiro o vento da serra cala-se nas ruas estreitas mas grita no adarve

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