Arco da Rua Augusta
Diego Delso CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Arco da Rua Augusta

o arco que demorou cento e catorze anos a ficar pronto

É a entrada monumental da baixa, do lado do Tejo: o arco triunfal que liga a Praça do Comércio à Rua Augusta, com a inscrição em latim VIRTVTIBVS MAIORVM no topo ("Às Virtudes dos Maiores, para que sirva a todos de ensinamento"). A obra foi programada em 1759, no quadro da reconstrução pombalina depois do terramoto de 1755, com desenho original do arquitecto Eugénio dos Santos. Mas a execução foi lentíssima: até 1843 o arco subia só até à cimalha, com as colunatas em pé desde 1815, à espera de coroamento. Só em 1873, depois de novo concurso ganho pelo arquitecto Veríssimo José da Costa, é que a obra ficou finalmente concluída. Cento e catorze anos do projecto à conclusão.

A decoração escultórica está toda no remate superior. Lá em cima, o grupo de Célestin Anatole Calmels representa a Glória a coroar o Génio e o Valor. Mais abaixo, num plano lateral, estão quatro figuras da história portuguesa esculpidas por Vítor Bastos: Marquês de Pombal, Vasco da Gama, Viriato e Nuno Álvares Pereira. Nas laterais do arco, ainda por Vítor Bastos, estão alegorias dos rios Tejo e Douro, que delimitam o território onde alegadamente viviam os Lusitanos. Toda a leitura é programática: o Estado Pombalino quis um arco que dissesse, em pedra, qual era a narrativa nacional que justificava a reconstrução da cidade.

Desde 2013 é possível subir ao topo. Entra-se por uma porta lateral na Rua Augusta, apanha-se elevador, depois dois lances de escadas íngremes em espiral, e chega-se ao terraço onde estão as esculturas grandes. A vista é de 360 graus, com a Praça do Comércio aos pés (vê-se a estátua equestre de D. José I de cima), o Tejo a abrir-se a sul, o castelo de São Jorge no morro a leste, e a Rua Augusta a alongar-se até ao Rossio com o pavimento em padrão de calçada portuguesa. A meio do percurso, na Sala do Relógio, há uma exposição pequena sobre a história do arco e sobre o relógio do edifício, que ainda funciona com o mecanismo original.

a cena toda

  • arco triunfal programado em 1759, concluído em 1873
  • desenho original de Eugénio dos Santos, coroamento de Veríssimo José da Costa
  • esculturas de Célestin Anatole Calmels no topo, Vítor Bastos abaixo
  • miradouro aberto ao público desde 2013, com elevador e escada em espiral
  • vista de 360 graus sobre a Praça do Comércio, o Tejo e a baixa pombalina

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