a igreja que foi construída pelas crianças, um tostão de cada vez
No século XVIII, depois do terramoto de 1755 ter deitado abaixo a igreja anterior, foram as crianças que andaram pelas ruas de Lisboa a pedir esmola para a reconstrução. A frase que ficou foi "um tostãozinho para o Santo António". A obra do templo actual, começada em 1767, foi paga, em boa parte, com essas moedas. Hoje, séculos depois, os devotos continuam a deixar moedas no chão da capela e mensagens nas paredes. O hábito não morreu.
A igreja ergue-se no sítio tradicionalmente identificado como o local onde Fernando de Bulhões, futuro Santo António de Lisboa, nasceu por volta de 1195. Antes da igreja actual existiu aqui uma capela, pelo menos desde o século XV. O terramoto destruiu-a quase toda; só a cripta sobreviveu, e é hoje acessível pela sacristia. A nova igreja foi projectada por Mateus Vicente de Oliveira, o mesmo arquitecto da Basílica da Estrela, em linguagem tardo-barroca e pombalina, com frontão sinuoso e escadaria a marcar a fachada.
Descendo para a cripta, no sítio do nascimento, vês um painel de azulejos modernos que regista a visita do Papa João Paulo II em 1982. No interior da igreja sobrevive a imagem do santo, poupada pelo terramoto. A 13 de Junho, dia de Santo António, é feriado em Lisboa, e a tradição manda que os jovens que tencionam casar venham aqui rezar e deixar flores: o santo é, popularmente, o intercessor dos casamentos.
A poucos passos fica o Museu de Santo António, em edifício anexo construído em 1962 no local tradicional do nascimento, com a exposição permanente renovada entre 2010 e 2012. A Sé de Lisboa está mesmo ao lado, e é onde, segundo a tradição, Santo António terá sido baptizado.
o que encontras cá dentro
- a cripta da igreja original, no local tradicional do nascimento de Santo António, acessível pela sacristia
- a imagem do santo poupada pelo terramoto de 1755
- o painel de azulejos modernos com a visita do Papa João Paulo II em 1982, na descida para a cripta
- as moedas deixadas pelos devotos no chão da capela e as mensagens nas paredes
- a fachada tardo-barroca e pombalina de Mateus Vicente de Oliveira, com frontão sinuoso e escadaria



