ficou com as armas invertidas e o palácio queimado
No ponto mais alto da aldeia, onde estás à espera de encontrar um castelo de pé, há ruínas de paredes altas e pátio central. É o que sobrou do Palácio de Cristóvão de Moura, mandado construir no final do século XVI sobre a alcáçova antiga, e queimado pela população em 1640. Nunca foi reconstruído.
Castelo Rodrigo escolheu o lado castelhano duas vezes em momentos críticos. Em 1383-85, durante a crise sucessória portuguesa, alinhou-se com Castela contra o futuro D. João I. Como castigo, o rei mandou inverter as armas reais no brasão da vila e tornou-a dependente de Pinhel. Dois séculos depois, sob domínio filipino, foi Cristóvão de Moura, natural daqui, a figura central da diplomacia que entregou a coroa portuguesa a Filipe II de Espanha em 1580. Em recompensa, recebeu o título de Marquês de Castelo Rodrigo no final do século XVI e mandou construir o palácio. Com a Restauração da Independência em 1640, a população revoltou-se e queimou-o. As ruínas ficaram, em ruína deliberada, como memória política.
A cintura amuralhada tinha originalmente treze torreões, à semelhança de Ávila, semi-circulares em vez das torres quadradas habituais dos castelos portugueses; alguns ainda estão de pé. Dentro, há o pelourinho manuelino de gaiola, regulamentado pelo foral novo de 1508, e a cisterna medieval com treze metros de fundo, com porta em arco de ferradura. Castelo Rodrigo é uma das doze Aldeias Históricas de Portugal desde 1991 e está a vinte quilómetros da praça-forte de Almeida, na mesma raia.
vai sabendo que
- as ruínas do palácio de Cristóvão de Moura no topo da aldeia são propósito, não negligência; foi assim deixado depois do incêndio de 1640
- os torreões semi-circulares da muralha são assinatura castelhana, não erro de imaginação portuguesa
- o Mosteiro e Igreja de Santa Maria de Aguiar, antigo mosteiro cisterciense do séc. XII no mesmo concelho, fica perto para juntar à visita
- duas Aldeias Históricas próximas para encadear no mesmo dia: Castelo Mendo e Marialva




