três quilómetros de figueira, oito séculos de cister
Sai de Figueira de Castelo Rodrigo pela estrada que vai a Almofala. Três quilómetros, um vale, e estás à porta de uma das igrejas cistercienses mais bem conservadas que ficaram em pé em Portugal. Em volta, soutos de castanheiros e silêncio.
O Mosteiro de Santa Maria de Aguiar começou no século XII. Por volta de 1170 a comunidade local adoptou a regra de Cister, ainda em terras de Riba-Côa que andavam disputadas entre portugueses e leoneses. Só com o Tratado de Alcanices, em 1297, é que a fronteira ficou onde está hoje, e o mosteiro passou definitivamente para o lado português. Foi classificado Monumento Nacional em 1932, e os restauros que começaram em 1937 são parte do que vês hoje.
A igreja guarda a austeridade típica de Cister: planta em cruz latina, três naves, abóbadas de cruzaria de ogiva, fachada sem ornamento, porta de arco redondo sem decoração. Do claustro original sobreviveu apenas a base do muro e a Sala do Capítulo. O resto do convento foi vendido em hasta pública em 1937 e parte funciona hoje como hospedaria privada, o que significa que há zonas do conjunto que não visitas, mesmo que entres.
Sobe a seguir até Castelo Rodrigo, ou vem de lá antes do fim da tarde. O castelo na colina, o mosteiro no vale, a luz a baixar sobre os soutos como se nunca tivesse mudado de século.
vai sabendo que
- a visita faz-se sob marcação na maior parte do ano, com contacto pelo posto de turismo de figueira de castelo rodrigo
- a igreja está em pé, o convento não está inteiro: parte está em mãos privadas e funciona como hospedaria
- o acesso ao interior é por degraus, sem alternativa rampada
- vivem morcegos no edifício, e o sítio protege-os
- a 15 de agosto é a festa de nossa senhora da guia, padroeira do concelho, e o local enche





