lá em cima já não vive ninguém, e é por isso que se sobe
Dentro das muralhas, no ponto mais alto do penedo, há décadas que não mora ninguém. Chama-se Cidadela e é a parte de Marialva que tens de subir para ver. Lá em cima encontras o castelo com a Torre de Menagem ainda de pé (mas frágil, com pedras soltas), o pelourinho, a Casa da Câmara do século XVII e a Igreja de Santiago, a antiga matriz.
Marialva tem três alturas, e isso explica a aldeia. Em baixo, a Devesa, junto à ribeira, sobre o que foi a cidade romana Civitas Aravorum, é onde vive hoje a maior parte da gente. A meio, o Arrabalde, que cresceu fora das muralhas a partir do século XIII com casas quinhentistas e senhoriais. Em cima, a Cidadela vazia. A leitura é vertical: a vida desceu da defesa para o campo. É uma das doze Aldeias Históricas de Portugal e o desenho em três níveis é o que a distingue.
A história é empilhada. Foi castro dos Aravos no século VI a.C., depois Civitas Aravorum romana reconstruída sob Trajano e Adriano, ocupada por visigodos e árabes, conquistada por Fernando Magno de Leão em 1063, que lhe deu o nome. D. Afonso Henriques mandou repovoar e deu o primeiro foral em 1179, D. Dinis criou a feira em 1286, D. Manuel concedeu Foral Novo em 1512. Tudo isto continua marcado fisicamente nas pedras que vais percorrer.
vai sabendo que
- a Cidadela é o eixo da visita; é lá em cima, no topo do penedo
- a Torre de Menagem está de pé mas frágil, com pedras soltas; é o estado do abandono funcional, não falta de manutenção
- a vida actual da aldeia faz-se na Devesa, em baixo; lá em cima é só ruína e silêncio
- duas Aldeias Históricas vizinhas para encadear no mesmo dia: Castelo Rodrigo a este, Castelo Mendo a sul







