Fortaleza de São João Baptista
José Luís Ávila Silveira/Pedro Noronha e Costa 13:37, 18 July 2007 (UTC) Public Domain · Wikimedia Commons
Fortaleza de São João Baptista
Carlos Luis M C da Cruz Public Domain · Wikimedia Commons

Fortaleza de São João Baptista

a fortaleza que engole uma montanha inteira

Há fortalezas e há a de São João Baptista. A diferença é de escala: esta não guarda um ponto estratégico, envolve todo o Monte Brasil, uma península vulcânica a oeste de Angra do Heroísmo. A muralha não cerca um pátio nem uma torre. Cerca um monte.

A construção arrancou por volta de 1592, por ordem de Filipe II de Espanha (e I de Portugal), com planta de Tibúrcio Spanochi seguindo a escola italiana: traçado abaluartado, baluartes com orelhões marcados, praças baixas acessíveis por túnel, paramentos em talude. O nome original era Castelo de São Filipe. Depois da Restauração de 1640, passou a São João Baptista, em homenagem a D. João IV. Sobre a porta magistral ficou inscrito o juramento do rei de tomar a Virgem da Conceição como padroeira do reino. As pedras guardam camadas de história que raramente se lêem à superfície.

A fortaleza foi palco de um cerco épico em 1640: perto de 7000 homens de várias ilhas, comandados por capitães açorianos, cercaram a guarnição filipina. Décadas mais tarde, foi aqui que, pela primeira vez em terra, se içou a bandeira liberal, azul e branca, de D. Maria II. O edifício ainda é quartel activo, sede do Regimento de Guarnição n.º 1. Visitas são possíveis, mas entras num espaço que não foi musealizado para te receber.

A cidade de Angra do Heroísmo, Património Mundial da UNESCO desde 1983, estende-se do outro lado do istmo. Daqui vês-a como ela não aparece em nenhuma fotografia do centro histórico.

traçado, pedra e escola italiana

A planta poligonal irregular é o que distingue esta fortaleza das simples muralhas medievais. O modelo abaluartado, desenvolvido em Itália nos séculos XV e XVI, foi concebido precisamente para responder à artilharia: ângulos que eliminam pontos cegos, baluartes que se cobrem mutuamente, cortinas que ligam tudo numa frente coerente. Spanochi aplicou aqui esse sistema com rigor, numa obra que demorou décadas a concluir (a construção prolongou-se até cerca de 1636).

A Igreja de São João Baptista, dentro do recinto, usa três tipos de pedra vulcânica da zona: traquito, tufo basáltico palagonitizado e tufo surtseiano. Não é um pormenor decorativo. É a geologia da ilha Terceira a entrar directamente na arquitectura.

As encostas do Monte Brasil, fora das muralhas, têm trilhos demarcados integrados na Paisagem Protegida. A fortaleza e o monte são a mesma visita.

o que vais encontrar

  • muralhas que seguem o contorno do monte, não de um pátio
  • interior com função militar activa: isto não é um museu
  • a Igreja de São João Baptista, em pedra vulcânica do século XVII
  • vistas sobre Angra do Heroísmo e a baía a partir do istmo

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