Casa - Museu Vitorino Nemésio
Carlos Luis M C da Cruz Public Domain · Wikimedia Commons

Casa - Museu Vitorino Nemésio

a casa onde o medo quer ter medo, na terceira

Nasceu aqui, a 19 de Dezembro de 1901, o homem que escreveu Mau Tempo no Canal e deu à literatura portuguesa uma voz que ainda ressoa. O edifício é do século XVII, construído na antiga rua da Cadeia, e chegou aos dias de hoje com o exterior praticamente intacto: cantaria à vista, alvenaria rebocada e caiada, sem grandes concessões ao tempo.

A Casa-Museu Vitorino Nemésio abriu como espaço museológico em 2007, depois de uma requalificação cuidadosa. Lá dentro encontras fotografias, objectos ligados à obra e à vida do escritor, e uma apresentação multimédia que contextualiza quem foi Nemésio para além dos cânones escolares. Há também uma cozinha tradicional açoriana que funciona como cápsula: louças, utensílios, o cheiro imaginado de uma ilha no início do século XX.

O quintal foi convertido num espaço para recitais e apresentações, com peças de cantaria antigas espalhadas pelo espaço. É um pormenor que importa: não é apenas um jardim decorativo, é um arquivo em pedra. Na Praia da Vitória, onde o ritmo é outro, entrar nesta casa é perceber que a Terceira produziu uma das vozes mais singulares da língua portuguesa, e que essa voz começou precisamente aqui, nesta rua, neste chão.

a voz antes dos livros

Vitorino Nemésio é frequentemente reduzido a Mau Tempo no Canal, mas a casa ajuda a recuperar o resto: o ensaísta, o poeta, o professor universitário, o homem da televisão que durante anos entrou nas casas portuguesas com uma presença inconfundível. Os objectos e documentos do museu cobrem esse arco inteiro, não apenas a figura literária canónica.

A Terceira atravessa tudo o que escreveu. A ilha não é cenário; é matéria-prima. Visitar a casa onde nasceu, numa rua que ainda guarda o nome antigo da Cadeia, é perceber de onde vem essa obsessão com o arquipélago, com o isolamento, com o mar que separa e liga ao mesmo tempo.

o que vais encontrar

  • uma casa do século XVII com o exterior preservado há mais de trezentos anos
  • espólio pessoal e fotográfico do escritor, com contexto biográfico
  • cozinha tradicional açoriana intacta como peça museológica
  • quintal com cantaria antiga, usado para recitais

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