museu ou portal do tempo, decides tu
Entraste numa casa que ardeu, foi reconstruída, voltou a ser casa e acabou museu. A Quinta de S. Miguel de Seide tem esse peso de lugar que recusou desaparecer. Camilo Castelo Branco viveu aqui cerca de 26 anos, com Ana Plácido, e foi aqui que, em 1890, pôs fim à vida. A reconstituição é tão cuidada que o espaço se sente habitado, não exposto.
A casa em si foi erguida por volta de 1830 por Pinheiro Alves, primeiro marido de Ana Plácido, com dinheiro trazido do Brasil. Camilo chegou depois da morte dele, em 1863, porque a quinta pertencia ao filho de Ana. É esse tipo de história, com camadas de vidas sobrepostas, que sentes quando andas de divisão em divisão.
Em 2005, Álvaro Siza Vieira assinou o Centro de Estudos Camilianos no terreno em frente, com auditório, salas de exposições e biblioteca. Os dois edifícios, separados por umas décadas e por um incêndio, funcionam hoje como conjunto. A Casa dos Caseiros tem serviços educativos e uma cozinha com ementa camiliana, e há um sequeiro e logradouro dedicados a recriar actividades do quotidiano oitocentista.
Seide fica no interior do concelho de Famalicão, longe do frenesim do centro. Quando sais, a paisagem minhota à volta da quinta diz-te exactamente onde estás.
o que vais encontrar
- a casa reconstituída com mobiliário e objectos da época de Camilo
- o Centro de Estudos de Álvaro Siza, a poucos metros
- um obelisco na cerca, mandado ergir por Ana Plácido em 1866
- exposições temporárias com trabalho sobre a obra camiliana
- programação regular para adultos e para miúdos



