Museu Paço dos Duques de Bragança
LUIS MIGUEL JORGE DUARTE CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Museu Paço dos Duques de Bragança
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons
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Museu Paço dos Duques de Bragança

palácio com currículo pesado e reconstrução polémica

Construído no século XV por ordem de D. Afonso, filho bastardo de D. João I, este palácio de Guimarães esteve ao abandono durante séculos antes de alguém decidir que valia a pena salvá-lo. Entre 1937 e 1959, o Estado Novo mandou reconstruí-lo de raiz a partir de um projecto do arquitecto Rogério de Azevedo: o resultado é tecnicamente fiel ao estilo borgonhês original, mas a intervenção continua a dividir historiadores e arquitectos até hoje.

O Paço dos Duques de Bragança serve ao mesmo tempo de museu, de residência oficial do Presidente da República no norte e de espaço cultural activo. No primeiro piso, a coleção inclui tapeçarias flamengas e francesas, porcelana chinesa, mobiliário e pinturas como o retrato de D. Catarina de Bragança e um Cordeiro Pascal atribuído a Josefa de Óbidos. São peças que não se justificam com o território mas que acabaram aqui por via das casas nobres que passaram por este espaço.

O edifício fica no Monte Latito, junto ao Castelo de Guimarães e à Igreja Românica de S. Miguel do Castelo. Os três monumentos estão a poucos passos uns dos outros e cobrem do século XII ao século XV sem sair do mesmo morro. Podes entrar no Paço e depois subir ao castelo no mesmo dia, sem carro nem táxi pelo meio.

o peso do edifício

A reconstituição dos anos quarenta levanta uma questão que vale a pena ter na cabeça quando entrares: o que estás a ver é o palácio tal como era, ou tal como o Estado Novo imaginou que devia ser? A resposta honesta é que é as duas coisas ao mesmo tempo. O estilo borgonhês, com as chaminés cilíndricas que dominam a silhueta do edifício, reflecte os gostos que D. Afonso trouxe das viagens pela Europa. A matéria que tens à frente, essa, é do século XX.

Antes da reconstrução, o edifício passou quase 130 anos como quartel militar, entre as invasões francesas de 1807 e 1935. É essa sobreposição de funções, abandono, uso militar e reconstituição política que torna o Paço mais interessante do que a maior parte dos palácios nacionais.

o que vais encontrar

  • tapeçarias flamengas e francesas no primeiro piso, com escala suficiente para impressionar
  • o retrato de D. Catarina de Bragança, rainha de Inglaterra e mulher de Carlos II
  • a silhueta com chaminés borgonhesas, mais fácil de identificar de fora do que de dentro
  • um edifício que é simultaneamente monumento nacional, museu e espaço presidencial activo
  • o castelo e a igreja românica a menos de cinco minutos a pé

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