seis quilómetros de arcos para levar água ao convento
O Aqueduto dos Pegões (ou Aqueduto do Convento de Cristo) estende-se por cerca de seis quilómetros entre quatro nascentes nos arredores de Tomar e o Convento de Cristo, no alto da cidade. São 180 arcos de volta perfeita ao longo de todo o percurso, e a parte mais espectacular fica no Vale dos Pegões, onde a estrutura desce ao vale e volta a subir do outro lado: aí, sobre o desnível maior, os arcos de volta perfeita assentam num conjunto de 16 arcos quebrados em baixo, num duplo registo arquitectónico que torna o sítio inconfundível.
A obra foi mandada construir por Filipe I durante o período da União Ibérica, e a traça é de 1584, do arquitecto italiano Filippo Terzi, então arquitecto-mor do Reino. As obras começaram em 1593 e foram dirigidas por Terzi até à sua morte; passaram depois para Pedro Fernandes de Torres, e a primeira fase ficou concluída em 1614, com inauguração por Filipe II na sua visita a Portugal. A inscrição latina gravada no aqueduto regista a data. Não é peça medieval portuguesa: é peça da arquitectura ibérica filipina, com modelo semelhante aos aquedutos de Elvas e Évora, e que serviria depois de referência para o aqueduto de Vila do Conde.
O troço mais alto, sobre o Vale dos Pegões, pode ser atravessado a pé por cima, pelo coroamento. Andas em cima dos arcos, a vários metros do solo, com a calha de condução de água ainda visível ao lado. O passeio dá-te a escala da obra de uma forma que nenhuma fotografia consegue. Em baixo, a perspectiva dos arcos em fuga sob os contrafortes é o enquadramento que justifica a deslocação. Está classificado como Monumento Nacional desde 1910 e integra a área classificada do conjunto patrimonial de Tomar, com o Convento de Cristo no topo da colina (este sim, Património Mundial UNESCO).
Fica nos arredores da cidade, a oeste do centro. Vai de carro: o acesso fica indicado pela estrada que sai de Tomar para a Mata do Convento. Há sítio para estacionar perto do troço principal. Em julho e agosto enche a meio do dia, mas ao fim da tarde tem geralmente menos gente, e a luz baixa marca os arcos com sombras compridas. Combina bem com a visita ao Convento de Cristo, que fica no alto da mesma colina e a alguns minutos a pé.
o que vais encontrar
- seis quilómetros de aqueduto entre nascentes e o Convento de Cristo
- 180 arcos de volta perfeita ao longo do percurso
- duplo registo arquitectónico no Vale dos Pegões, com arcos quebrados em baixo a sustentar volta perfeita em cima
- atravessável a pé pelo coroamento, no troço alto
- Monumento Nacional desde 1910, próximo do Convento de Cristo (Património Mundial UNESCO)



