onde os comboios vão para não morrer
Quarenta e cinco hectares de complexo ferroviário no centro do país. O Entroncamento nasceu porque aqui, em 1860, se cruzaram as linhas do Norte e do Leste, e a cidade existe por causa do caminho de ferro. O Museu Nacional Ferroviário habita esse mesmo complexo, nos edifícios onde os comboios eram reparados, abastecidos e guardados.
A Rotunda das Locomotivas é o coração da visita. É uma estrutura circular, com carris radiais, concebida para rodar e armazenar locomotivas pesadas. Vê-la ocupada com máquinas a vapor dos séculos XIX e XX muda a escala das coisas. O Armazém de Víveres e as Antigas Oficinas do Vapor completam o percurso pelos edifícios históricos, cada um com a sua função original ainda legível nas paredes e no chão.
A coleção tem cerca de 36.000 objectos, do material circulante aos bilhetes e tarifários. Dois destaques com história própria: o Comboio Real, adquirido para as deslocações da família real entre o Barreiro e Vila Viçosa, e o Comboio Presidencial, restaurado em 2013 e depois levado em viagem inaugural. Não são reconstituições. São os veículos reais, com os interiores originais.
O museu distribui-se por vários núcleos espalhados pelo país, mas a sede no Entroncamento é onde está o peso da colecção. É aqui que percebes que Portugal não destruiu o seu material ferroviário nas guerras do século XX, como aconteceu noutros países, o que explica tanto a riqueza do espólio como o facto de os primeiros esforços sérios de preservação só terem começado nos anos 1960. Uma cidade que existe por causa dos comboios a guardar os comboios que a fizeram existir: essa coincidência não acontece em mais nenhum sítio.
o que vais encontrar
- a Rotunda das Locomotivas, um edifício que já é peça de museu antes de entrar nele
- comboios de uso real da família real e da presidência, com interiores visitáveis
- maquinaria e ferramentas das oficinas originais ainda nos seus sítios
- escala: o espaço não é de sala, é de pátio e nave industrial




