onde o trabalho ficou gravado nas paredes
Uma fábrica de conservas que ainda cheira a memória industrial. O edifício foi construído no início do século XX para enlatar peixe, e as máquinas, as bancadas e a disposição do espaço ainda contam essa história sem precisar de legendas. Não é um museu que imita uma fábrica: é uma fábrica que se tornou museu.
O Museu do Trabalho Michel Giacometti leva o nome do etnólogo franco-português que passou décadas a documentar a cultura popular portuguesa antes que ela desaparecesse. Essa obsessão está presente nas colecções: ferramentas, objectos do quotidiano laboral, registos de ofícios que já não existem. A escala humana do trabalho, não a versão heroica dos monumentos.
Setúbal teve uma das mais importantes indústrias conserveiras da Península Ibérica, e este espaço é um dos poucos lugares onde essa história tem corpo físico. Não é folclore reconstituído: é o sítio onde as mulheres da cidade trabalharam durante décadas, com as mãos, a saltar peixe. Sair daqui com a sensação de que conheces melhor a cidade do que quando entraste é quase inevitável.
o que vais encontrar
- maquinaria conserveira original ainda no lugar
- colecções etnográficas reunidas por Giacometti em Portugal
- arquitectura industrial do início do século XX preservada
- contexto directo com a história operária de Setúbal



