a casa onde nasceu o homem que rimou o que não se podia dizer
Setembro de 1765. Numa casa da Rua de S. Domingos, em Setúbal, nasce Manuel Maria Barbosa du Bocage. O poeta que viria a ser processado pela Inquisição, censurado pela Real Mesa Censória e adorado pelos leitores que copiavam os seus versos à mão para os fazer circular.
A Casa de Bocage não é um museu com colecções museológicas imponentes. É um espaço contido: parte biblioteca especializada na vida e obra do poeta, parte galeria com exposições temporárias. Aqui dentro funciona também o Arquivo Municipal de Fotografia Américo Ribeiro, o que lhe dá uma dupla vida mais activa do que a maioria das casas-museu de província.
A própria história do edifício tem peso. Em 1864 os conterrâneos de Bocage abriram uma subscrição para colocar uma lápide na fachada. Vinte e quatro anos depois, um visconde francês chamado Edmond Bartissol comprou a casa e doou-a ao município. É por isso que a rua tem hoje o nome dele, e não do poeta. Setúbal tem sentido de humor.
Entras aqui mais pelo contexto do que pelo espectáculo. Bocage escreveu sonetos académicos e epigramas obscenos com a mesma destreza, numa cidade que ainda hoje faz questão de o reivindicar nas ruas, nas estátuas e nos menus dos restaurantes do centro.
o que vais encontrar
- a casa natal de um dos poetas mais subversivos do século XVIII português
- biblioteca especializada em Bocage, disponível para consulta
- exposições temporárias que variam ao longo do ano
- o arquivo fotográfico municipal no mesmo espaço
- uma lápide na fachada com texto do século XIX



