o museu na antiga cadeia, com a cozinha alentejana recriada lá dentro
O Museu Municipal de Santiago do Cacém está instalado no edifício que entre 1885 e 1968 foi a Cadeia Comarcã da vila, na Praça do Município, em frente aos Paços do Concelho com um jardim público a separar os dois. O projecto é do arquitecto Chiapa Monteiro, exemplar da arquitectura civil oitocentista, e nota-se que foi pensado como prisão: austero, sólido, funcional. A única concessão decorativa são as ameias revivalistas que rematam a fachada principal, um capricho histórico no meio do resto seco. A cadeia funcionou até à construção do novo tribunal em 1968, e em 1972 o edifício foi convertido em museu municipal depois de obras de conservação e adaptação.
A fundação do museu enquanto instituição é anterior ao próprio edifício actual: foi criado em 1930 por iniciativa do Dr. João da Cruz e Silva (1881-1948), médico santiaguense que durante décadas reuniu uma colecção pessoal de arqueologia e numismática que acabou por doar ao município. Esse acervo é o núcleo fundador, e ainda hoje a numismática e a arqueologia são duas das três vertentes mais relevantes da colecção (a terceira é a etnografia).
A colecção de numismática é provavelmente a mais densa do museu para quem gosta deste tipo de matéria. Inclui moedas desde o século III antes da nossa era até ao advento da República portuguesa em 1910, com cédulas e notas a fechar a cronologia, e funciona como leitura paralela à história local e nacional. A etnografia é o terceiro pilar do museu e a parte mais visualmente memorável da visita: uma cozinha alentejana tradicional foi recriada à escala original, com lareira, alguidares, malga e o equipamento doméstico habitual, e um quarto modesto recriado com a mesma fidelidade. É a melhor maneira de perceber, em três salas, como se vivia numa casa alentejana antes da electrificação.
O museu tem ainda peças avulsas que vão das artes decorativas à pintura, mobiliário, cerâmica, escultura, têxteis, documentação e fotografia. Entre as obras dignas de atenção está uma série de retratos da família dos Condes de Avilez, com peso histórico para a região, e exposições temporárias rotativas (escultura, pintura, sazonais). Não é museu para uma visita longa: hora e meia chega, no máximo duas horas se quiseres demorar na cozinha e no quarto etnográficos. Combina bem com a subida ao castelo de Santiago do Cacém logo a seguir, que está a poucos minutos a pé e oferece a vista sobre o Litoral Alentejano.
a cena toda
- museu instalado desde 1972 na antiga Cadeia Comarcã, projecto oitocentista de Chiapa Monteiro
- fundação do espólio em 1930 por doação de João da Cruz e Silva, médico santiaguense
- colecção numismática com cunhagem do século III a.C. à proclamação da República
- cozinha alentejana e quarto modesto recriados à escala original, peças icónicas da visita
- arqueologia do paleolítico ao medieval, actualmente fora de exposição





