Museu de Portimão
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Museu de Portimão

a fábrica que a sardinha construiu

Entra pela antiga área de descarregamento de peixe e percebe imediatamente que isto não foi sempre um museu. A sala de descabeço, com os tanques de salmoura ainda no lugar e manequins à escala real a reconstituir o trabalho, tem um peso concreto que a maioria dos museus industriais não consegue fabricar. O cheiro já não está, mas a geometria do trabalho ficou.

A Feu Hermanos começou em 1889 e a fábrica abriu em 1902, tornando-se uma das maiores unidades industriais do Algarve num período em que Portimão vivia quase exclusivamente da sardinha. Quando fechou nos anos 80, ficou parada durante décadas até a Câmara a comprar e decidir que o edifício merecia outro destino. O Museu de Portimão abriu em 2008, nas mesmas paredes onde as latas eram impressas com a litografia que ainda podes ver na nave central.

Em 2010 ganhou o Museum of the Year Award europeu. Em 2011, o prémio alemão DASA para os melhores museus do trabalho. Não é conversa de folheto: é o reconhecimento de que o programa museológico aqui tem substância real, da arqueologia de Alcalar às embarcações históricas como a Portugal Primeiro de 1911, atracada desde 2023 no Cais Gil Eanes, ali mesmo em frente.

Fica nas margens do Rio Arade, e quando sais já com a cabeça cheia de conservas e redes, o rio ainda está lá do mesmo lado onde as traineiras descarregavam. Portimão faz mais sentido depois de teres entrado neste edifício.

a fábrica por dentro

A lógica do espaço segue o circuito de produção original: o percurso que fazes é o mesmo que a sardinha fazia, da descarga ao enlatamento. Não é reconstituição decorativa. Os sistemas mecânicos de transporte, os tanques, a máquina de impressão em chapa metálica, a sala do "cheio" e a do "vazio" (a unidade de fabrico de latas que ficava do outro lado da rua, ligada por carris) estão integrados na narrativa com coerência industrial.

O espólio vai além das conservas: construção naval, pesca, litografia, fundição, latoaria, fumeiros, arqueologia subaquática do Arade e um núcleo dedicado a Manuel Teixeira Gomes, escritor e Presidente da República nascido em Portimão. Há também peças do sítio megalítico de Alcalar, que o museu gere como polo exterior.

o que vais encontrar

  • manequins à escala real a reconstituir o trabalho na sala de descabeço
  • a máquina de impressão litográfica em chapa metálica, original da fábrica
  • a embarcação Portugal Primeiro de 1911, atracada na frente ribeirinha
  • arqueologia subaquática do Rio Arade, incluindo uma moeda romana encontrada em 1970
  • exposições temporárias e um auditório para 171 pessoas com programação activa

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