Museu José Régio

a casa que foi crescendo à volta do poeta

Chegou como hóspede de pensão, com um quarto modesto numa cidade que não era a sua. Foi ficando, foi ocupando mais quartos, e quando finalmente se foi embora, José Régio deixou tudo para trás com uma condição: que a casa se tornasse museu. O quarto e a sala de trabalho continuam como ele os deixou, com os objectos no lugar exacto, a atmosfera intacta de quem ainda está para voltar.

O edifício tem séculos de histórias antes de Régio: foi anexo do Convento de São Brás, serviu de quartel durante as invasões francesas, funcionou como pensão. Hoje o Museu José Régio ocupa os dois pisos, com 17 salas de exposição permanente onde se misturam a vida do escritor e a obsessão que o tornou coleccionador.

Essa obsessão é o coração do museu. Régio comprava tudo o que os alentejanos tinham para vender: Cristos em madeira que faziam parte do enxoval das noivas, santos com as costas achatadas para ficar pousados na parede, barros de Portalegre com cores fortes, pratos de Coimbra trazidos pelos ceifeiros migrantes do norte que os trocavam por roupa antes de regressar a casa. Havia também arte pastoril, objectos feitos de chifre, cortiça e madeira por pastores que transformavam qualquer material que tivessem à mão em pintadeiras, polvorinhos e dedeiras.

Há duas cozinhas no museu, cada uma com o seu próprio inventário de objectos, e um acervo literário espalhado pela casa. É um daqueles sítios onde o coleccionismo e a biografia se confundem de tal forma que percebes a pessoa através das coisas que escolheu juntar, numa Portalegre que ele tornou sua durante 34 anos.

vai preparado para

  • colecção de Cristos em madeira com origens e formatos muito diferentes
  • pratos "ratinhos" de Coimbra com história própria por detrás do nome
  • arte pastoril alentejana em chifre, cortiça e madeira
  • o escritório do poeta como ele o deixou
  • vestígios da antiga capela do Convento de São Brás no edifício

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