Museu Nacional da Música
Museu Nacional da Música CC0 1.0 · Wikimedia Commons

Museu Nacional da Música

mil instrumentos, um palácio

Há um violoncelo aqui que pertenceu a D. Luís I e foi tocado pelo próprio rei. Há um cravo que Luís XVI encomendou para si, construído por Pascal Taskin. Há um piano que Franz Liszt trouxe pessoalmente de França em 1845. O Museu Nacional da Música instalou-se em 2025 no Palácio Nacional de Mafra e trouxe consigo mais de mil instrumentos dos séculos XVI a XX, numa das colecções mais importantes da Europa.

A mudança da estação de metro do Alto dos Moinhos para Mafra não foi só logística. O contexto muda tudo: os instrumentos ganham outro peso quando estão num palácio construído por D. João V, rodeados de talha, azulejo e pedra. A escala do Real Edifício absorve qualquer museu sem o engolir.

A coleção não é só de instrumentos célebres. Há flautas bengala, violinos de algibeira, uma flauta de vidro. Há instrumentos africanos e asiáticos ao lado de cravos de oficinas lisboetas setecentistas. A exposição inclui quinhentos instrumentos visíveis ao público, experiências interactivas e uma programação regular de concertos dentro do próprio espaço.

Sais daqui com outra ideia do que Mafra guarda para além da basílica e da biblioteca.

o peso das proveniências

Muitos dos instrumentos chegaram ao museu por via de três coleccionadores privados: Alfredo Keil, Michel'angelo Lambertini e Carvalho Monteiro. Keil era compositor e pintor, Lambertini era musicólogo, Carvalho Monteiro era o mesmo excêntrico que mandou construir a Quinta da Regaleira em Sintra. Três obsessões diferentes, um acervo.

O violoncelo Stradivarius seguiu um percurso invulgar: foi do luthier para o rei, do rei para o museu. O cravo de Pascal Taskin passou por Luís XVI, pela Marquesa do Cadaval e acabou classificado como Tesouro Nacional. A iconografia inclui um retrato de Luísa Todi pintado por Vigée-Lebrun e telas de José Malhoa com Beethoven como tema central. O historial de cada peça é, por si só, um mapa da Europa musical dos últimos três séculos.

vai preparado para

  • o violoncelo Stradivarius que um rei tocou
  • o cravo de Taskin feito a pedido de Luís XVI
  • o piano que Liszt trouxe de França em 1845
  • instrumentos que não sabias que existiam (a flauta de vidro, os violinos de algibeira)
  • concertos no próprio palácio, consulta a agenda antes de ir

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