ressurgiu por teimosia, não por plano
Em 1988, Kerstin Thomas era uma jovem artista alemã a estudar em Coimbra e andava pela serra da Lousã com amigos quando deu com uma aldeia de xisto desabitada. Os mapas militares ainda mostravam habitantes; o que ela encontrou foram ruínas. Sem estrada, sem água canalizada, sem electricidade. Procurava sítio para um atelier e havia ali tudo o que precisava: castanheiros à volta, paredes de xisto à espera. Ficou. Foi pedindo casas aos donos, reabilitando uma de cada vez com as técnicas antigas. Outros foram chegando.
O que vês agora subiu daí. É a mais pequena das aldeias do xisto da Lousã e a única em que o eixo central não é o aluguer turístico, é o trabalho artístico. Da Cerdeira saiu o festival Elementos à Solta, em 2006, e mais tarde o projecto Cerdeira - Home for Creativity, com residências, workshops e formação em vários ofícios. Sente-se diferente das outras aldeias do xisto da serra: aqui a arte é o que sustenta a aldeia.
O caminho a partir da estrada principal é estreito e curto. Estacionas em cima e desces a pé. As casas dispõem-se sobre o esporão de rocha, viradas a sul e poente; no fundo da aldeia corre a ribeira da Cerdeira, e o conjunto toma o desenho de um anfiteatro encostado à pedra. Em Julho, durante uns dias, há o Elementos à Solta, e a aldeia inteira vira galeria ao ar livre. Fora disso, pede silêncio. Não vais à Cerdeira fazer turismo de visita rápida: ou ficas, ou passas e olhas.
vai sabendo que
- a aldeia foi reabilitada à mão, casa a casa, com técnicas tradicionais de xisto
- a Escola de Artes e Ofícios é o centro do projecto
- estaciona-se em cima e desce-se a pé; chegar de carro à porta não dá
- o festival Elementos à Solta acontece em Julho




