Mercado de Loulé
Portuguese_eyes CC BY-SA 2.0 · flickr.com

Mercado de Loulé

mercado ou monumento, tu decides

Quatro cúpulas avermelhadas. É assim que reconheces o edifício antes de entrar, a partir de qualquer rua do centro histórico de Loulé. Construído em 1908 num estilo revivalista de inspiração islâmica, o Mercado Municipal de Loulé foi o projecto mais ambicioso do Algarve naquela primeira década do século XX, e ainda hoje parece querer provar alguma coisa.

Entras por um dos quatro portões e o mercado abre-se em quatro pavilhões. Bancas de fruta, peixe, legumes, mel, frutos secos, presunto, queijo, artesanato. A escala é humana, mas o espaço tem peso. O ferro forjado nas estruturas, o barulho contido, os cheiros sobrepostos, tudo isso coexiste debaixo das cúpulas como se o edifício estivesse mesmo à espera disto.

O chão que pisas tem história para além da pedra. Durante as obras de reabilitação do século XXI foi descoberto um silo com materiais dos séculos XI a XVI, construído sobre o traçado das antigas muralhas da cidade. O Mercado de Loulé foi erguido literalmente por cima de camadas de ocupação islâmica, medieval e moderna. Não é metáfora: é arqueologia.

A reabilitação concluída em 2007 devolveu ao edifício os dois torreões que constavam no projecto original de 1905 mas nunca tinham sido construídos. O que vês hoje é, em parte, uma versão mais fiel ao que o arquitecto Alfredo Costa Campos imaginou, mais do que o que chegou a existir.

de muralha a mercado

O terreno tem camadas. Antes do edifício, havia muralha. Antes da muralha, havia ocupação islâmica. A rivalidade entre as Freguesias de São Sebastião e São Clemente sobre onde construir o mercado durou décadas, e o debate sobre quantos mercados deviam existir na vila travou o arranque das obras durante anos. Quando finalmente abriu portas em 1908, já tinham passado quase vinte anos de discussão.

O arquitecto Alfredo Costa Campos, de Lisboa, trabalhou sobre um esboço de 1898 de autor desconhecido, fez revisões em 1903, voltou a revisar em 1905 a pedido da câmara por falta de verbas, e a obra só saiu do papel em 1905. Em 22 de Junho desse ano a obra foi entregue a José Francisco dos Santos. Três anos depois, o mercado abria.

o que vais encontrar

  • as cúpulas vermelhas vistas de fora, que orientam antes do Google Maps
  • quatro pavilhões com lógica própria: peixe, fruta, artesanato, cafetaria
  • ferro forjado nas estruturas internas, que denuncia o século XX a sério
  • um edifício dentro da Zona Especial de Protecção do Castelo de Loulé
  • a sensação de que estás num sítio que funciona de verdade

cenas por perto

ver no mapa