o mercado que sobreviveu ao próprio sucesso
O edifício é de 1882 e fica no Cais do Sodré, à beira-Tejo. A estrutura metálica com torre central e cobertura de zinco é a típica arquitectura de mercado oitocentista que noutras cidades europeias se perdeu para reconversões mais agressivas. O Mercado da Ribeira resistiu, e a fachada continua a marcar a esquina do largo com a mesma presença de sempre.
Do lado direito ainda é o mercado antigo: bancas de peixe, fruta, hortaliça, talho, flores, gente do bairro a fazer compras de manhã. É esse lado que define o ritmo do sítio antes do meio-dia. Tem cheiro a marisco, tem barulho de gelo partido, tem o tipo de conversa que acontece entre quem se conhece há anos e quem aparece pela primeira vez com uma lista na mão.
Em 2014 abriu no lado esquerdo uma praça de alimentação que mudou completamente o nome do sítio para quem chega de fora. Hoje, quando alguém diz Mercado da Ribeira, está quase sempre a falar dessa metade. Os dois lados convivem no mesmo telhado, mas vivem em horários e públicos completamente diferentes.
Se vens pelo mercado a sério, vai cedo, entra pela porta do lado direito, e ficas com a versão de Lisboa que ainda compra peixe num balcão.
a cena toda
- edifício oitocentista com estrutura metálica, vale a pena olhar para cima
- bancas de peixe, fruta, talho e flores do lado direito, activas de manhã
- dois ritmos completamente diferentes debaixo do mesmo telhado
- enche a sério ao fim-de-semana e em época alta
- Cais do Sodré, a dois passos do Tejo



