Museu dos Baleeiros

quando a caça ainda era à vela e arpão na mão

Nas Lajes do Pico, o cais tem uma história que a maior parte das pessoas não imagina quando chega à ilha. Até 1987, saíam daqui botes a remos e à vela para perseguir cachalotes no Atlântico, sem motor, sem tecnologia de localização, com um arpão e o braço de quem arremessava. Foi o último lugar de Portugal onde isso aconteceu.

O Museu dos Baleeiros ocupa três barracões do século XIX onde antes se guardavam exactamente esses botes. O edifício é classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1980, e a recuperação arquitectónica que transformou as antigas "casas dos botes" em museu ganhou menção honrosa da Associação dos Arquitectos Portugueses em 1993. Há uma coerência entre o espaço e o tema que se sente antes de leres uma única legenda.

No exterior, na pequena praça à entrada, está a reconstituição de um traiol: a estrutura onde se derretiam a fogo directo as peças desmanchadas dos cachalotes. Não é uma maqueta. É o processo todo em concreto, ao ar livre, mesmo ali.

a memória do ofício, núcleo a núcleo

A exposição permanente divide-se em cinco áreas: o bote baleeiro açoriano, a tenda de ferreiro, o baleeiro em terra, a carpintaria naval e a arte baleeira. Esta última inclui scrimshaw, que é a prática de gravar ou entalhar osso e marfim de cachalote, uma forma de expressão que os baleeiros desenvolveram nas longas esperas entre capturas.

Há ainda uma biblioteca especializada em caça à baleia, com mapas e livros de bordo originais, e um pequeno auditório onde passa o filme "Os últimos baleeiros". É um dos poucos museus na Europa com este tema, e o único em Portugal. Isso não é marketing, é facto verificável.

o que vais encontrar

  • botes baleeiros açorianos em contexto real, não em vitrine
  • scrimshaw: gravura sobre osso de cachalote, feita pelos próprios baleeiros
  • o traiol no exterior, que explica a escala industrial do que aqui se fazia
  • biblioteca com documentação de arquivo sobre a faina baleeira
  • um filme que fecha tudo o que viste com rostos e vozes concretas

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