debaixo da terra, em cima do fim do mundo
O chão afundou-se propositadamente. O edifício do centro está soterrado para não tapar a vista: a lógica aqui é deixar a paisagem falar primeiro. E ela fala alto. A erupção de 1957/58 criou terra nova, literalmente, e o que vês em volta é uma das superfícies mais jovens do planeta.
O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos organiza o que parece caos geológico: explica a erupção, a formação do arquipélago e a ciência por trás dos vulcões mais activos do mundo. Há exposições de rochas e minerais, um auditório, e um fio condutor que vai do específico (o que aconteceu aqui, nesta ponta do Faial, em 1957) ao global (como é que o planeta cria terra nova). Nada de folhetim turístico.
Daqui podes subir ao farol dos Capelinhos, o que ainda está de pé depois de ter ficado meio soterrado durante a erupção. A partir daí percebes a escala: kilómetros de paisagem cinzenta e negra, criada há menos de setenta anos, a entrar pelo Atlântico. Não há muito mais em Portugal que te coloque assim, em cima de algo tão recente e tão violento.
quando o faial cresceu para ocidente
A erupção dos Capelinhos começou no mar, em setembro de 1957, e durante meses adicionou terra nova à costa ocidental do Faial. Era uma erupção surtseyana, o mesmo tipo que criou a ilha de Surtsey na Islândia. O farol existente ficou parcialmente soterrado, as populações da zona foram evacuadas, e muitos habitantes do Faial acabaram por emigrar para os Estados Unidos ao abrigo de legislação especial aprovada pelo Congresso americano directamente por causa desta catástrofe.
O centro conta esta história sem a suavizar: a erupção destruiu casas, virou vidas ao contrário e remodelou permanentemente a geomorfologia da ilha. É história recente, de pessoas que ainda viviam quando o museu abriu.
o que vais encontrar
- o edifício enterrado, invisível da paisagem até chegares mesmo lá
- exposições sobre vulcanologia, formação dos Açores e faróis açorianos
- o farol semi-soterrado, ainda de pé e visitável
- terra com menos de setenta anos debaixo dos pés




