uma casa de família que virou memória colectiva
Há edifícios que guardam apenas objectos. Este guarda uma ilha inteira. Construído no século XVII, o imóvel pertenceu aos Cunha da Silveira, uma das famílias mais influentes de São Jorge durante o século XIX, com peso real na vida cultural, política e económica da ilha. A Casa Museu Cunha da Silveira em Velas herdou as paredes e foi além delas.
O tema que organiza tudo é "O Mar e a Terra: a Sustentabilidade de um Povo". Não é um título decorativo: distribui-se por seis salas de exposição permanente e uma de temporárias, cada uma a decompor o que sustentou gerações de jorgenses. A tecelagem, a pesca, a agricultura, os ofícios do dia-a-dia. São Jorge não prosperou como as ilhas vizinhas, ficou marcada por séculos de isolamento, ataques de corsários e catástrofes naturais. O que aqui se expõe é exactamente o que permitiu à população aguentar tudo isso.
Entrar aqui é perceber que a ilha não é só verde e fajãs. Tem uma camada de subsistência densa, construída ao longo de séculos, que raramente aparece nas fotografias. São Jorge vista de dentro, pelas mãos de quem sempre viveu nela.
o que vais encontrar
- espólio dos Cunha da Silveira lado a lado com ferramentas de pesca e tecelagem
- exposições temporárias que variam a visita se regressares
- seis salas que seguem uma lógica temática, não uma lógica de vitrine
- arquitectura seiscentista com interior que conta história diferente da fachada



