la vicentina en août, ce n'est pas la vicentina
Tu fais nord-sud, avec l'Atlantique à droite tout le long. La Costa Vicentina est la bande sauvage qui va de Sines à Sagres, et l'erreur c'est d'essayer de la faire en plein été. En octobre ou novembre le soleil chauffe encore en milieu de journée, les plages sont vides, et le vent se fait enfin sentir comme il faut. C'est cette côte-là qui justifie le nom.
Il te faut une voiture et deux jours. Ça fait environ 140 km d'un bout à l'autre et aucune de ces étapes n'est collée à la suivante. Le premier jour se passe en Alentejo (Sines et Odemira), avec nuit à Zambujeira do Mar ou à Odeceixe. Le deuxième jour entre en Algarve, traverse Aljezur au déjeuner et finit à Sagres, avec le phare qui clignote déjà.
Emporte un pull même avec du soleil. Le vent de la Vicentina ne demande pas la permission, et il y a des étapes où c'est lui qui décide à ta place si tu sors de la voiture. À Aljezur, au milieu du deuxième jour, remets-toi d'aplomb : mange bien, va voir le château mauresque là-haut, et file vers le cap tranquillement.
Praia Grande de Porto Covo
Porto Covo aparece muitas vezes nas listas de "mais bonitas do país". Acredita no hype, mas por razões que os listicles raramente explicam bem. A Praia Grande fica mesmo junto à aldeia, tem areia fina e está encaixada entre falésias amarelas altas que lhe dão uma escala fora do comum para uma praia de acesso tão fácil. À frente, no mar, a Ilha do Pessegueiro fecha o horizonte com aquela silhueta baixa e discreta que parece ter sido colocada ali para dar profundidade à fotografia.
Praia do Malhão
Chegas pelo caminho de terra batida, estacionas onde calha, desces. Não há paredão, não há esplanada, não há fila de chapéus alugados. É essa a primeira coisa que se nota no Malhão: a infraestrutura simplesmente não está lá, e isso é o ponto.
Cabo Sardão
Um edifício baixo, branco, com telhados discretos. É assim o farol do Cabo Sardão, construído em 1915 numa torre de dezassete metros que não se impõe à paisagem. Quem chega a pensar que vai ver uma estrutura imponente fica surpreendido. E depois repara que o farol está virado de costas para o mar.
Praia de Zambujeira do Mar
Areia fina e clara, encaixada entre paredes de rocha que sobem abruptamente dos dois lados. É assim a Zambujeira do Mar: uma concha de praia onde a aldeia fica lá em cima e tu cá em baixo, com o Atlântico à frente a fazer barulho. O acesso desce pela falésia a partir da vila, e essa descida já muda o estado de espírito antes de chegares à água.
Praia de Odeceixe
Uma faixa de areia com dois mundos: de um lado o oceano, do outro o rio Seixe a entrar no mar. Não é metáfora, é geografia. Estás literalmente na fronteira entre o Algarve e o Alentejo, com o rio a marcar a linha.
Praia de Arrifana
Oitocentos metros de areia dourada encaixados numa baía que parece desenhada a compasso. As falésias de xisto sobem dos dois lados, altas o suficiente para cortar parte do vento atlântico e tornar o lugar habitável mesmo quando o mar está bravo. É essa forma de concha que faz a Arrifana diferente das praias abertas da Costa Vicentina: há um abrigo relativo que não é habitual nesta costa.
Praia da Bordeira
Três quilómetros de areia clara. É esse o número que separa a Bordeira de quase tudo o resto no Algarve: a praia mais extensa do concelho de Aljezur, limitada a norte por falésias de xisto e a sul por formações rochosas do Jurássico, com os ventos dominantes de noroeste a esculpir as dunas que chegam quase à beira-mar. O resultado não é um cenário arrumado para fotografar, é uma paisagem com força própria.
Fortaleza de Sagres
Chega-se de carro, deixa-se no parque, e a seguir há uma muralha enorme à frente. Do outro lado, o Atlântico. O promontório de Sagres corta o oceano a prumo: falésias dos dois lados, vento constante, e a sensação de estar num lugar que foi o limite do mundo conhecido durante séculos. Não é uma metáfora de brochura. É mesmo assim que o sítio se comporta.
À la fin du deuxième jour, quand le phare de Sagres commence à clignoter et que tu as encore le sel de la veille sur la peau, tu comprends pourquoi cette côte n'est pas pour tout le monde. Et pourquoi c'est très bien comme ça.










